Moradores da Pousada da Esperança 2 estão cobrando da Administração Municipal de Bauru providências quanto ao lixo que está sendo depositado na erosão do bairro que receberia apenas entulho (restos de demolição e construção). Hoje, eles discutirão o assunto com o titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Luiz Pires.
De acordo com Natalino David da Silva, presidente da Associação de Moradores da Pousada da Esperança 1 e 2, junto com o entulho que é levado em caçambas por empresas particulares, há lixo orgânico e móveis velhos. “Queremos entulho de verdade para aterrar a erosão e não que isso se transforme em um depósito de lixo. Os moradores estão começando a reclamarâ€, destaca.
Silva conta que os catadores de lixo vão até o local para recolher materiais e fazem queimadas que prejudicam a vizinhança. “O funcionário da Semma não está dando conta. Tem uma vizinha que está grávida de seis meses e teve que mudar de casa porque não suportou o cheiroâ€, afirma.
A erosão do Pousada da Esperança 2 foi definida como destino de todo o entulho produzido na cidade em novembro do ano passado. A idéia inicial era eliminar os diversos pontos espalhados pela cidade de depósitos de entulho, que acabam tornando-se verdadeiros lixões a céu aberto. Por outro lado, a medida possibilitaria o aterramento de uma grande erosão existente na cidade.
A alternativa ideal não deve causar danos ao meio ambiente nem representar desconforto à população vizinha. Por isso, ficou estabelecido que não seria permitido depositar galhos, madeira, materiais orgânicos, móveis velhos e latas de tinta, entre outros materiais.
Inicialmente, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) gerenciaria esse primeiro ponto de deposição de entulho, fiscalizando todo o material que chega em caçambas. Para agilizar o início das atividades do depósito, foi destinado um funcionário da própria Semma, que fica no local das 7h30 às 16h45. “Para colocar pessoal da Emdurb dependeríamos de uma legislação própriaâ€, explica o secretário de Meio Ambiente.
A erosão também seria cercada, já que seria cobrada uma taxa das empresas que depositam entulho no local. Segundo Pires, a idéia da cerca foi abandonada porque eliminou-se a possibilidade de cobrança.
Reciclagem de entulho
Para Luiz Pires, são os próprios moradores do bairro que aproveitam-se dos horários em que não há funcionário vigiando o local para jogar lixo. “Infelizmente, a própria população está indo jogar coisas lá quando o funcionário saiâ€, observa.
Na reunião de hoje, Pires deverá propor aos moradores a construção de uma usina de reciclagem de entulho, idéia antiga da Prefeitura de Bauru que nunca foi viabilizada. O secretário acredita que com a ajuda da comunidade o projeto pode tornar-se viável.
“Ou o poder público poderá explorar ou podemos fazer uma concessão para um particular. Estamos fazendo estudos para isso. Só a instalação da usina demandaria de R$ 300 mil a R$ 400 milâ€, enfatiza Pires. “O nosso entulho é muito rico. Muito do material que vai para a construção é perdido e vira entulhoâ€, acrescenta.
Por enquanto, está sendo estudada a possibilidade de instalar uma cerca no local para impedir o acesso fora do horário de funcionamento do depósito.
A comunidade do Pousada da Esperança aproveitará a oportunidade da conversa com Pires para propor um projeto de arborização do bairro. De acordo com o presidente da associação de moradores, a intenção é incentivar todas as pessoas a adotar uma árvore.