“Queremos um pouco de água para nossas criançasâ€. Esse foi a palavra de ordem dos sem-terras que interditaram uma pista da avenida Nuno de Assis (a do sentido Fórum - Terminal Rodoviário), no início da tarde de ontem. Eram cerca de 650 pessoas, entre elas 70 crianças, que sob sol forte reivindicavam que a Prefeitura de Bauru, através do Departamento de Esgoto (DAE), disponibilizasse água para atender à demanda das famílias acampadas.
Os sem-terra já estavam há mais de cinco horas no local sem água nem banheiro. Durante a manhã de ontem, líderes do grupo estiveram na Câmara Municipal para reivindicar junto aos vereadores da Comissão de Direitos Humanos uma intervenção a favor dos sem-terra.
“Quando nós saímos de lá, eles disseram que já estavam providenciando e que logo chegaria água e banheiro para a gente. Mas chegamos aqui e não havia nada disso. Por isso, resolvemos interditar a avenidaâ€, explica Maria de Lourdes Pereira da Silva, integrante da regional de Promissão do MST.
Durante o protesto, o acesso à avenida Nuno de Assis pelo viaduto da rua 13 de Maio e pelas ruas Alto Purus e Inconfidência foram interditados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Viaturas da Polícia Militar (PM) e do Tático-4, além de policiais de trânsito, deslocaram-se até o cruzamento mas não fizeram nenhuma intervenção já que a manifestação foi pacífica.
Os integrantes do movimento solicitaram aos policiais que mediassem o pedido de água para as famílias acampadas, fazendo contatos com representantes da Prefeitura. “Todo mundo tem o direito e o dever de se manifestar. O nosso povo passa fome e não tem águaâ€, frisa Pierre Graves, integrante do movimento.
Em meio à sede e ao cansaço os sem-terra receberam uma boa notícia: o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Geraldo Leite, estava a caminho de Bauru para conversar com o grupo acampado em Bauru.
Quanto à água, a assessoria de imprensa do DAE informou que ainda não havia providenciado porque o pedido chegou à autarquia apenas no início da tarde. Aproximadamente às 16 horas de ontem, técnicos foram até o local para avaliar a possibilidade de disponibilizar a água. Como não havia caixa d’água no local, a prefeitura providenciou uma caixa com capacidade para mil litros e o DAE enviou um caminhão-pipa no final da tarde para abastecê-la.
Alta velocidade
No início da manifestação, de acordo com membros dos sem-terra e testemunhas que passavam pelo local, um veículo da Polícia Civil que transitava pela avenida no sentido Fórum-Terminal Rodoviário quase atropelou alguns manifestantes, jogando o carro sobre as pessoas que estavam na pista. Trata-se de uma Veraneio antiga utilizada pela Cadeia Pública de Bauru, ocupada por apenas uma pessoa.
O delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, disse que o caso será apurado se for registrado um boletim de ocorrência. “A obrigação nossa é apurar, se houver denúncia formalizada. Logicamente, toda denúncia tem que ser apuradaâ€, reforça.