Política

Cohab vai abrir crise financeira para debate

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A direção da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) acordou com o vereador João Parreira (PSDB) a realização de uma reunião pública, ainda sem data definida, na Câmara Municipal, para a apresentação de sua difícil situação financeira e contábil. O vereador vem insistindo na extinção dos serviços da companhia. O presidente da Cohab, Constante Mogioni, tem receio que o déficit crescente não possa ser suportado pelos negócios em andamento.

A Cohab tem um desfalque de caixa de R$ 820 mil por mês. Segundo Mogioni, o déficit acumulado desde 1991 atinge R$ 22 milhões. Mas a companhia tem uma dívida de R$ 34 milhões de seguros e não vem conseguindo cumprir os compromissos financeiros. “O vereador vem discutindo a situação da companhia na Câmara e eu apresentei a ele informações que demonstram que é necessário tomar uma providência urgente. Sem uma saída, a situação da Cohab ficará, muito difícil”, conta o presidente da Cohab.

Mogione considera que é necessário apresentar a radiografia das contas da companhia à sociedade. “Eu conversei com o vereador e me coloquei à disposição para a instalação de uma comissão com representação da Câmara, da Caixa Econômica Federal (CEF), da Cohab e de órgãos interessados na formulação de uma política habitacional que recupere a função empreendedora da Cohab, sem a qual não há como continuar operando. Queremos ir ao Governo Federal para achar uma solução”, fala.

Segundo o presidente, a receita média mensal é de R$ 2,1 milhões para a operação de 26 mil contratos existentes. A inadimplência é de 54%. A Cohab consome R$ 540 mil com custeio e folha de pagamento e repassa R$ 2 milhões para a CEF. O déficit operacional mensal chega a R$ 820 mil porque a companhia não paga as parcelas do seguro dos contratos, de R$ 420 mil.

Somente neste ano, a dívida vai aumentar R$ 9 milhões. Não há nenhuma perspectiva para que a Cohab obtenha receita extra no período. Apesar de não executar nenhum empreendimento habitacional e de ter terceirizado alguns serviços, a Cohab ainda mantém 115 funcionários.

Transferência de créditos

O vereador João Parreira disse que foi procurado pelo prefeito Nilson Costa (PPS) para a discussão do déficit da Cohab. Ele havia dito na tribuna da Câmara, na última sessão, que aceitava debater o assunto. Ontem, Constante Mogioni levou ao vereador números que reforçam a preocupação com a sobrevivência da empresa. Uma alternativa pode ser a transferência de créditos para a CEF.

Mogioni esteve acompanhado do presidente municipal do PPS e diretor da companhia, Rubens de Souza. “O presidente mostrou documentos onde ele vem alertando para os problemas há algum tempo. A situação realmente é muito difícil para a Cohab. O prejuízo financeiro e operacional se acumula e cresce a cada dia e esta dívida vai ficar para a Prefeitura”, comenta.

O vereador conta que convidou, antecipadamente, o superintendente do escritório de negócios da CEF, Miguel Sampaio Jr., para participar da discussão. É que o banco estatal tem créditos milionários com a Cohab por causa de 26 mil contratos antigos. “Queremos discutir a Cohab com a associação local, a CEF, os vereadores e a sociedade. o superintendente apresentou a possibilidade de transferência de créditos para uma empresa estatal. Isso eliminaria a responsabilidade enorme que a Cohab tem com a CEF”, diz.

Para Parreira é preciso analisar também a viabilidade da própria Cohab ser absorvida pela CEF. “Não é uma opção fácil, depende de articulações políticas com o Governo Federal, mas precisa ser discutido. O superintendente considera a transferência de créditos uma opção melhor. Antes desse debate a Cohab tem que apresentar uma radiografia dos problemas para a cidade”, cita. A transferência de créditos é possível através da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), um organismo ligado ao Tesouro Nacional que adquire títulos “podres”.

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