Clientes da agência do Itaú localizada na rua Luiz Aleixo, no Jardim Higienópolis, foram vítimas de clonagem de seus cartões bancários nesta semana. O banco não informou o número exato das pessoas que sofreram o golpe, mas afirmou que foram pelo menos seis, sendo uma delas da cidade de Lins.
Os saques foram efetuados nos dias 25 e 26 de março, segundo o gerente da agência, Márcio Carlos Barbieri de Toledo. Ele explicou que os autores do crime acoplaram um dispositivo em um dos caixas eletrônicos. Para isso, a borracha de vedação foi retirada e uma das partes da máquina foi serrada.
O dispositivo, semelhante a um chip, é capaz de ler e copiar as informações magnéticas do cartão e ainda registra a senha digitada pelo cliente durante uma operação. Ao final de um dia, o equipamento contém dados dos clientes que utilizaram o caixa eletrônico. Eles são passados a um cartão, com o qual são realizados saques. “Eu não conhecia clonagem dessa formaâ€, diz o gerente.
Acredita-se que os golpistas realizaram esse trabalho de instalação do dispositivo durante o final de semana, no período da noite - em que não há segurança na agência. “Foi uma obra de mestre. Não é coisa para qualquer um. Essa pessoa conhece muito de informática. Deve ser um engenheiroâ€, diz Toledo.
No início da semana, entre segunda e terça-feira, alguns clientes verificaram saques desconhecidos em seus extratos e procuraram a agência bancária. O terminal eletrônico utilizado pelas vítimas foi checado e o golpe da clonagem foi descoberto, após a checagem de algumas informações.
Os valores sacados indevidamente das contas correntes variam de R$ 40,00 a R$ 578,00, segundo Toledo. Os clientes foram ressarcidos imediatamente e, acredita-se que por esse motivo, muitos deles não registraram a ocorrência nos distritos policiais.
O gerente da agência também informou que não acionou a polícia já que o procedimento de rotina da empresa consiste em enviar os casos para o Departamento de Inspetoria, em São Paulo, que se encarrega das medidas necessárias.
O delegado Marcelo Haddad, titular do 3.º Distrito Policial (DP), informou que no dia 25 de março houve um registro de clonagem de cartão de crédito. Ele destaca a importância de que vítimas de crimes semelhantes comuniquem os casos à polícia.
“Tem que registrar toda e qualquer situação semelhante. A pessoa vai poder ser ressarcida e a polícia vai apurar como o dinheiro saiu indevidamente da conta do cliente. É importante que as ocorrências sejam registradasâ€, reforça o delegado.
Segurança
O diretor de relações institucionais do Itaú, Aldous Galletti, informou que a clonagem de cartões não implica em invasão do sistema do banco. “O sistema continua seguro e não foi alvo de invasão por parte de nenhum hackerâ€, frisa.
Ele preferiu não divulgar as medidas que estão sendo providenciadas pelo Departamento de Inspetoria, mas afirmou que estão sendo rastreadas informações e que muitas pessoas já foram presas em virtude desse trabalho interno da empresa.
Código do Consumidor
O Código de Defesa do Consumidor assegura aos clientes de bancos seus direitos nos casos em que forem comprovadas falhas de segurança na prestação de serviço. A informação é de Silvio Orti, coordenador do Procon (órgão de defesa do consumidor) de Bauru.
“Isso é mais do que claro. Os bancos devem oferecer serviços de segurança. Se ficar claro que faltou na prestação de serviço o caráter de segurança, certamente essa responsabilidade é dos bancosâ€, afirma.
Orti destaca o parágrafo 2.º do artigo 3.º do código, que expressa que os serviços de natureza bancária estão incluídos nas leis que defendem o consumidor: “Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.â€
Ele cita também o artigo 4.º do segundo capítulo do código, que estabelece: “A Polícia Nacional de relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito de sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos (...).â€