A quaresma-2002, há 40 dias celebrada com carinho pela coletividade religiosa, está chegando aos seus derradeiros momentos. E isso constitui razão fundamental para que se recorde a oportuna mensagem formulada pelo papa João Paulo II sobre a sua plena significação para a humanidade, agora tão importante como nos mais expressivos tempos evangélicos. Na sua fala, evocando o evangelho de Mateus, onde diz que “recebeste de graça a vida e, então, dai-a também de graçaâ€, o pontífice destaca, veemente: “Tendo, com efeito, recebido a vida gratuitamente, cabe-nos, por nossa vez, doá-la de modo também gratuito aos irmãosâ€.
E o destaque episcopal se faz mesmo necessário, porque na sociedade atual, com tantos contravalores mudando radicalmente os pensamentos e as ações das pessoas, imperioso se faz advertir seriamente a todos para os reais e sadios objetivos que eles precisam imprimir às suas existências para que elas não se tornem impiedosas, destituídas de proveito humano e, principalmente, não fujam às palavras do Criador, que incentivam a seqüência de uma vida visceralmente fraterna, na qual todos distingam as carências do próximo, sejam pobres ou débeis. “Quanto mais necessidades o nosso próximo tiver, mais será a nossa missão em servi-lo†- realça Sua Santidade, dando relevo à ampla visão do evangelista, na qual é colocado em evidência o sentido expresso da gratuidade que não pode deixar de existir nos corações humanos, pois estes precisam estar permanentemente abertos e franqueados aos apelos, mudos ou em voz audível de quantos, muitas vezes juntinhos de outros, estão doentes ou passam fome, sede e frio, mas, infelizmente, não são ouvidos e nem percebidos. Urge, portanto, que a quaresma não seja tida e havida como um evento anual que relembra o sacrifício, a morte e a ressurreição do protomartir da evangelização, mas, fundamentalmente, ocasião propícia para que todos, agradecendo a bondade de Deus, que dá a “vida de graçaâ€, testemunhem com exemplos, duplamente, uma existência santa para os que os cercam e benfazeja para quantos dela careçam e, isso, sem os favores das contrapartidas. JC associado à religiosidade de seus leitores, lhes deseja uma Páscoa evangelicamente motivada. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado