O conjunto arquitetônico formado por casarões na área central de São Carlos será mapeado numa espécie de “censoâ€, que apontará a qualidade e condições de imóveis importantes da cidade. O projeto, desenvolvido pela Fundação Pró-Memória de São Carlos, consiste em minucioso levantamento e identificação de prédios com características arquitetônicas de interesse histórico para o município.
A vice-presidente Fundação Pró-Memória, Ana Lúcia Cerávolo, ressalta que os resultados do levantamento deverão estar disponíveis no início do mês de maio deste ano. Na fase inicial, o “censo†de patrimônio vai abranger o “quadrilátero histórico†da cidade, compreendido entre as ruas 28 de Setembro, Visconde de Inhaúma, Santa Cruz e São Paulo. Essa área corresponde a um total de cerca de 150 quarteirões e foi dividida em três trechos. Ela ressalta que, com o andamento do trabalho, os primeiros resultados poderão indicar a necessidade de fazer um pequeno ajuste nesse perímetro, para incluir ou excluir algumas áreas. “O levantamento é fundamental para a cidade conhecer o seu patrimônio arquitetônico e a história da construção e transformação do núcleo urbano, desde a fundação, em 1857.â€
É indiscutível que São Carlos possui um conjunto de edifícios com grande valor histórico e arquitetônico. Esses bens de estilos variados caracterizaram as construções suntuosas e os prédios mais simples até a década de 40.
A administração municipal quer saber com exatidão quantos são esses prédios, onde estão localizados, e a possibilidade de visitação. Paulo Mentone, diretor do Departamento de Fomento ao Turismo, analisa o levantamento pelo aspecto de fomento ao turismo urbano. â€œÉ um ponto de partida para valorizar o centro histórico da cidade, o que, sem dúvida, vai auxiliar a consolidação de um turismo histórico que já existe em antigas fazendas cafeeiras da regiãoâ€.
No levantamento das fachadas dos imóveis, os estudantes vão verificar quais são os de interesse histórico, as suas condições de preservação – se o imóvel sofreu modificação ou descaracterização –, estado de conservação, as condições de ocupação e de uso e ainda o padrão arquitetônico da construção – eclético, contemporâneo ou moderno.
Além do preenchimento do formulário detalhado e da medição da largura das testadas dos terrenos, será feito um registro fotográfico de cada um dos imóveis.
“Censoâ€
Quanto às condições atuais de utilização, o “censo†histórico irá verificar se o imóvel está ocupado, se está sendo demolido ou em reforma, se está em construção, para alugar, vender, abandonado ou se caracteriza como lote vazio. No questionário será anotado, no item uso, se o imóvel é residencial, utilizado para comércio ou serviços, é hospitalar, religioso, institucional, educacional, se é um edifício verticalizado, praça ou área verde. Também será registrada a atividade praticada no imóvel e seu código, conforme a legislação municipal. O trabalho de campo será desenvolvido por uma equipe de seis estudantes universitários.
Cadastro de imóveis é confiável apenas até 1988
A última atualização “confiável†do cadastro de imóveis de São Carlos é de 1988. Essa informação foi fornecida por Sandra Motta, diretora do Departamento de Desenvolvimento Urbano, que, ainda, reconhece que nos anos de 1991 e 1997/1998 foram feitas alterações.
A vice-presidente da Fundação Pró-Memória, Ana Lúcia Cerávolo, explica que o questionário para o “censo†histórico foi elaborado após discussões com a Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Os resultados também serão utilizados para subsidiar a elaboração do Plano Diretor do Município e para a atualização do cadastro municipal de imóveis. Ela acrescenta que, além dessa finalidade, os dados vão propiciar elementos para a formulação de um planejamento para defender esses bens, incluindo, entre outras estratégias de ação, o estabelecimento de uma política de incentivos à recuperação dos prédios de interesse histórico.