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Abuso do chocolate causa transtornos

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Um pedacinho, dois, três... Em pouco tempo, num domingo de Páscoa, ovos inteiros podem ser devorados, principalmente pelas crianças. E um dia de festa e prazer pode acabar causando sérios transtornos.

O pediatra Edison Giacomini Filho reconhece que o chocolate é um bom alimento, é calórico e tem uma capacidade nutricional satisfatória. Mas, em contrapartida, é pesado, tem açúcar e gordura em excesso.

Essa característica faz com que a criança ao ingerir chocolate em grande quantidade acabe desenvolvendo uma intolerância ao alimento.

“Note bem que intolerância alimentar, não é intoxicação. Para isso, sempre uso o seguinte exemplo: você vai a uma churrascaria come até não caber mais e suar frio. Este é um sinal de intolerância, você comeu um alimento muito mais do que deveria. A intoxicação é quando algo que foi ingerido estava estragado.”

Desta maneira, ele adverte que o chocolate em excesso causa o mesmo problema. “As crianças comem muito chocolate ou qualquer outro alimento por brincadeira, vontade ou por gula mesmo e acabam sofrendo com isso”.

Os sintomas

Sensação de empachamento (estômago cheio), náuseas, vômito, diarréia e febre são os sintomas que denunciam a intolerância alimentar.

O médico ressalta que apesar de o chocolate prender o funcionamento do intestino em pacientes que já tenham essa predisposição, a diarréia está sempre associada à intolerância.

De todo esse quadro sintomático, a maior conseqüência pode ser a desidratação pela perda de líquidos com as fezes e vômitos.

Em raros casos também podem ocorrer irritações na pele provocadas por alergia. Entretanto, o pediatra revela que, na grande maioria, os alérgicos já sabem de seu quadro e devem evitar o alimento para sempre, caso não queira sofrer de diarréia e urticária.

Os conselhos

“Comer com moderação e bom senso é primordial”, diz Giacomini, explicando que cada organismo tem um índice de tolerância. É possível comer três ovos e não acontecer nada e comer dois bombons e o corpo rejeitar, principalmente pelo calor que está fazendo. “Para não exagerar, meio ovo pequeno é mais que suficiente”, aconselha.

O pediatra também adverte para que a alimentação do dia pascal seja controlada e não se esqueça da ingestão de líquidos, principalmente água, já que o gás dos refrigerantes também funciona como agravante do quadro clínico.

O vômito também não deve ser provocado. “Vomitar é muito perigoso. Quem vomita, além de perder muito líquido, não consegue ingerir o suficiente para repor. Além desse mal-estar o vomitar deixa a pessoa pálida, suando frio e pode até desmaiar.”

2ª maior Páscoa do mundo

A participação do chocolate vem crescendo e estudos mostram que quanto mais desenvolvido o País, maior seu consumo. No Brasil não ultrapassa a um quilo por habitante/ano enquanto na Colômbia se come três e na Suíça, a terra do chocolate, seis quilos “per capita”. A Páscoa brasileira já é a segunda maior do mundo.

Segundo uma análise setorial da Associação Brasileira das Indústrias de Cacau, Chocolate, Balas e Derivados (Abicab), o Interior de São paulo é o maior mercado consumidor, seguido de Santa Catarina e Paraná em segundo lugar, e da metrópole paulista, em terceiro.

Cerca de 25% a 30% da produção é escoada no varejo, o que equivale a 200 mil toneladas de anualmente. Para se ter uma idéia do que é o consumo de chocolate, a Páscoa no Brasil é a segunda maior do mundo são 20 mil toneladas, só superadas pelo Reino Unido, com vendas de 24 mil toneladas.

Alternativos para quem não pode ou quer evitar

Símbolo da Páscoa, os ovos de chocolate são tentação e drama para quem é alérgico à lactose ou chocolate, faz de dieta ou sofre com o diabetes. Na busca de alternativas para o problema, comerciantes da cidade buscam na criatividade e na pesquisa ovos para todos.

Desde o ano passado, uma farmácia de manipulação de Bauru prepara ovos recheados com produtos de beleza.

Na verdade, o kit promocional faz parte da campanha “Coelho vaidoso não quer ganhar peso nem espinhas”, numa alusão bem humorada aos efeitos colaterais do chocolate.

“De uma certa forma o ovo transparente, feito com formas para ovos de Páscoa preenche o efeito pscicológico do presente. Mas muita gente não resiste e quer colocar um chocolate diet junto com o pacote”, conta Luciana Isa Rodrigueiro Correa, farmacêutica responsável da empresa.

Mesmo com a proposta saudável e de beleza, muitas pessoas querem colocar somente balas de algas, chocolates e barras de cereais. “Assim, não vale”, comenta.

Sem lactose

Preocupado com os alérgicos em lactose, o chocolateiro Walter Marar, de uma loja especializada em chocolates, importou de Israel barras de chocolate ao leite sem lactose, sensibilizado com os apelos das crianças que chegavam em sua loja e não encontravam a guloseima.

Ele conta que não existe produção nacional de chocolates sem lactose e em sua pesquisa pelos importados, decobriu que os judeus, cujos costumes religiosos impõem a separação das enzimas animais.

Na busca, Marar achou bombons recheados com geléia de frutas, coockies e até tabletes de chocolate ao leite pareve (sem lactose).

“Você não imagina a alegria de uma criança alérgica quando chega aqui e, apesar de não encontrar ovos de Páscoa, pode levar chocolate.”

Para cumprir o efeito psicológico o chocolateiro também buscou embalagens ovais para acondicionar os doces e para não deixar ninguém sem chocolate faz plantão neste domingo.

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