Tribuna do Leitor

PÁSCOA

Nelson Paes
| Tempo de leitura: 2 min

Foi dentro de uma noite que Ele nasceu. Pobre, humilde, despojado. Dentro da noite. A noite mais feliz e mais lembrada de todas as noites. A que repartiu a História em dois capítulos: o que era antes e o que veio depois... do seu nascimento.

Assim foi nos itinerários de Cristo. Assim acontece em nossas jornadas também.

Meu Pai me enviou ao mundo para que eu lhes mostrasse o caminho da perfeição, para que eu os salvasse.

Preguei e ensinei ao meu povo tudo o que meu Pai me mandou, eu os amei e nunca os esqueci.

Um certo dia, por um punhado de prata, um amigo me traiu, fui preso, surrado e humilhado, como se fosse um criminoso. E um outro amigo negou-me para não vir comigo.

Julgaram-me. E o povo que tanto amei preferiu um ladrão que a mim. Fui condenado sem nada ter feito.

Debocharam de mim e depois fizeram com que eu carregasse minha própria cruz, para que nela fosse pregado como um pedaço de madeira. A dor foi imensa, mas sabia que meu Pai estava comigo. Morri como se fosse um ladrão, mas por amor ao meu povo.

Ressuscitei para lhes dar coragem e ainda houve quem duvidasse quem eu era.

Eu sou Jesus Cristo, o filho de Deus, e quero apenas que você acredite em mim, pois te amo muito e estarei contigo todos os dias de tua vida.

E 33 anos após, uma linda manhã de domingo aconteceu, marcando, de aleluias, os rumos da humanidade. A vida e o mundo seriam tristes, bem mais tristes, se aquela luminosa manhã não tivesse raiado... tão alegre, tão festiva.

Foi um domingo inesquecível, que reconciliou o céu e a terra. Domingo imorredouro, culminância da Semana Santa. Aquele domingo amanheceu sorrindo, porque um sepulcro já estava vazio. Aquele domingo foi diferente de todos os outros, na história dos séculos, porque Cristo ressurgiu, prefaciando a nossa ressurreição.

O domingo da ressurreição passa sempre pela noite do Getsêmani, pelas agonias da sexta-feira dos sofrimentos.

Páscoa é uma conquista diária, que reclama esforço, perseverança, coragem e tenacidade. Páscoa é prêmio que exige um preço. Há sempre uma noite escura para cada amanhecer. O grão de trigo morre para germinar amanhã. Toda a ressurreição é precedida por algum calvário...

Os caminhos de Cristo são os nossos caminhos. É morrendo, cada dia um pouco, que a gente nasce e renasce para a ressurreição definitiva e sem ocaso.

Aqui na Terra é sempre Quaresma. A Páscoa, mesmo, é lá adiante. Na outra margem do rio-vida que atravessamos agora, como peregrinos da fé, da esperança. No outro lado do mar-da-existência, onde Alguém nos espera, desde toda a eternidade: o Cristo imortal da Ressurreição. A cada ato de amor que fazes,

Eu ressuscito dentro de você.

“Feliz Páscoa, minha irmã. Feliz Páscoa, meu irmão.” (Nelson Paes - RG: 4.932.184)

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