Os pedidos de falência que deram entrada no Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru tiveram uma retração de 38,26% no ano passado, caindo de 115 para 71, segundo levantamentos do diretor do Cartório, Claudemir Jair da Silva. O Número é o menor desde 1994, ano do lançamento do Plano Real.
Vale ressaltar que, nos meses de setembro e outubro do ano passado, os funcionários do Fórum de Bauru estavam em greve e apenas três pedidos foram registrados. Esse dado não é conclusivo, pois não é possível saber se as ações não entraram em razão da paralisação ou porque não existiam.
No primeiro bimestre deste ano, a queda nos pedidos de falência chegou a 40%, se comparado com o mesmo período do ano passado, reduzindo de dez para seis. Vale ressaltar que a quantidade dos primeiros dois meses deste ano também foi a menor desde 1994, quando foram registrados cinco pedidos. Em 95, ano em que a quantidade de falências passou a crescer, foram oito pedidos no período, chegando a 56 no ano seguinte.
Na comparação anual, a quantidade de pedidos de falência em Bauru chegou ao ápice em 1996, quando atingiu 270 (Leia quadro). No ano seguinte, houve uma queda para 206, numa retração de 23,7%. Em 1998, a quantidade chegou a 183, numa baixa de 11,17% em relação ao ano anterior. Em 1999, os pedidos de falência foram 164, ou seja, 10,38% menos do que no ano anterior, voltando a cair em 2000 para 115 (- 29,88%).
O economista, professor universitário e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, lembra que o número de negócios fechados no ano passado foi menor do que nos anteriores. Porém, para ele, a queda no número de pedidos de falência se deu em razão de uma seleção ocorrida nas empresas nos últimos anos, na qual as mais fracas já fecharam. Outro ponto é que os credores estão tentando ao máximo negociar para evitar que a situação tenha que chegar ao pedido de falência, que é um processo que demora vários meses. “Se uma empresa se arrastou durante o ano passado por causa do apagão, por exemplo, vamos sentir isso nos indicadores de julho ou agosto deste anoâ€, afirma.
O economista acredita que a tendência natural deste ano é que ocorra um crescimento nos pedidos de falência, pois os números atuais refletem o início da crise de energia que o País enfrentou no ano passado. Porém, afirma que os números apresentados em 2002 não são conclusivos em si.
Para o delegado do Corecon, vai continuar ocorrendo um comportamento marginal de falências e concordatas, uma vez que isso independe do ambiente econômico, pois existem pessoas que não estão aptas a dirigir empresas, provocando resultados negativos. Além disso, há o fato de muitas empresas estarem renegociando suas dívidas.
Empresas mais adaptadas
Cássio Nunes Carvalho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) acredita que a queda nos pedidos de falência em Bauru é reflexo de uma estabilização na situação das empresas, que estão mais adequadas à nova realidade econômica do País.
Carvalho diz que a situação só não está melhor em razão dos problemas ocorridos no ano passado, como a crise da Argentina e a de energia no Brasil.
Para ele, muitas empresas fecharam em razão dos problemas conjunturais pelos quais o Brasil passou, nos últimos anos. No entanto, agora, a seleção natural continua, mas baseada no mercado, na concorrência.