Economia & Negócios

Gás de cozinha tem reajuste de 10,8% em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Após o último reajuste dos preços do gás de cozinha (GLP - gás liquefeito de petróleo) que passou a vigorar ontem, em Bauru a média de aumento para o consumidor ficou em 10,8%, numa alta de R$ 2,70 para cada botijão. Do valor de R$ 25,00 que era encontrado até anteontem na maioria das revendas da cidade, o atual passou para R$ 27,70, em média.

O repasse ficou abaixo da média de reajuste que o governo autorizou para as distribuidoras de gás, que foi de 14,5%. Mesmo assim, a situação é difícil para a população, pois em janeiro deste ano já havia sido efetuado um aumento que variou de 10% a até 22% para o consumidor - dependendo da revendedora.

Em função desse mercado ser livre em termos de preços - assim como a gasolina -, os valores mudam entre pontos de venda de distribuidoras diferentes. Numa consulta realizada em quatro estabelecimentos, também foram encontrados percentuais distintos para o repasse das distribuidoras a seus revendedores.

Francisco Carlos de Góes, dono de um depósito da Ultragás, diz que a empresa repassou um aumento de 13% para todas as suas revendas. Para não perder espaço no mercado e acompanhar a concorrência, Góes preferiu estreitar sua margem de lucro e aumentar o valor do botijão para o consumidor final em 10,8%. De R$ 25,00, a unidade passou a ser comercializada a R$ 27,70, desde ontem.

Góes critica o novo reajuste do GLP dizendo que isso prejudica tanto os consumidores, quanto os revendedores, que precisam achatar sua margem de lucro cada vez mais para competir no mercado. Segundo ele, ontem muitos clientes reclamaram do novo preço.

“O governo está autorizando um aumento atrás do outro, como aconteceu com a gasolina. O programa do vale-gás é absurdo, porque é direcionado a famílias que ganham só até R$ 90,00. Para os comerciantes, repassar ao consumidor o mesmo reajuste que as distribuidoras colocam para nós significaria perder clientes”, analisa.

De acordo com Góes, os vendedores de gás clandestinos também têm atrapalhado muito o mercado. “Eles vendem mais barato só que não pagam impostos e nem funcionários. As revendas que trabalham dentro da lei estão sofrendo muito com os clandestinos”, reclama o comerciante.

Em uma revenda a Supergasbrás, Ailton Pereira informa que o aumento do valor do botijão para o consumidor ficou em 10,4%, passando de R$ 25,00 para R$ 27,60. No serviço de entrega em domicílio, o preço pulou de R$ 27,50 para R$ R$ 28,90 (alta de 5%).

De acordo com Pereira, o repasse da distribuidora para a revenda ficou em torno de 15%. “Nós temos que arcar com essa diferença para poder continuar trabalhando, mas a situação está difícil. Esse já é o segundo aumento do ano e sempre repassamos menos do que a distribuidora cobra de nós”, observa.

“Lucro baixo”

Em uma revenda da Liquigás, a proprietária - que pediu para ter seu nome preservado - informa que o reajuste por parte da distribuidora teria sido de 15%.

Para o consumidor, a alta foi de 12%, com o preço da unidade passando de R$ 25,00 para R$ 28,00. Para entrega em domicílio, o valor cobrado por esse estabelecimento é o mesmo.

José Carlos Marques reclama da margem de lucro “apertada”, que estaria variando de 22% a 25%. Dono de uma revenda da Copagás, subiu o preço do botijão para o consumidor de R$ 25,00 para R$ 27,70. Segundo ele, o preço “ideal” de comercialização, nesse momento, seria R$ 29,00. Dessa forma, o lucro giraria em torno de aproximadamente 30%.

“A distribuidora repassou para mim um aumento de 16,5%. O ideal seria repassar esse mesmo índice para as vendas, subindo o preço do botijão para R$ 29,00. Mas se eu fizer isso, não vendo nada”, diz Marques.

De acordo com ele - que também reclama da atuação dos clandestinos -, o movimento no depósito foi normal ontem e no final da semana passada. O comerciante observa que as pessoas perderam o hábito de estocar gás antes dos aumentos.

Ontem, muitos clientes desse estabelecimento teriam reclamado do preço por estarem desinformados sobre o reajuste, segundo Marques.

A secretária Ana (nome fictício a pedido da entrevistada), considera o novo reajuste um absurdo.

â€œÉ uma falta de respeito com o consumidor. Daqui a pouco, vamos ter que cozinhar no fogão a lenha. O governo sobe o preço de tudo e o salário continua sempre igual. Acho isso vergonhoso, pois já tivemos um aumento no começo do ano”, opina.

Jeferson Tedesco, vendedor, compartilha a opinião da consumidora. “A classe média não está mais suportando tantos aumentos, sendo que os salários continuam arrochados. Para uma família de baixa renda é uma afronta pagar R$ 27,00 por um botijão de gás”, reclama.

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