Desde ontem está em vigor o aumento de R$ 20,00 no valor do salário mínimo, que passou de R$ 180,00 para R$ 200,00. Trabalhadores entrevistados pelo Jornal da Cidade dizem estar descontentes com a “mínima†alta. A principal reclamação é sobre o arrocho salarial e os aumentos constantes de preços no mercado, principalmente para produtos alimentícios.
Eloani Mara Aparecido, que trabalha como empregada doméstica, diz que com R$ 20,00 não se faz “quase nadaâ€.
“A gente fica muito tempo sem ter reajuste de salário, por isso, esse aumento deveria ter sido maior. Com R$ 20,00 não dá para fazer quase nada hoje em dia. Toda semana você encontra preços mais altos no supermercado. Para o pobre, qualquer dinheiro é bem vindo, mas o governo devia ter vergonha do salário mínimo brasileiroâ€, diz.
Por outro lado, Eloani teme pelo futuro das empregadas domésticas. “Se o mínimo começar a aumentar demais, muitos patrões podem preferir as diaristas. Isso me preocupaâ€, acrescenta.
A copeira Maria Aparecida Mendes está revoltada com a mudança. Ela diz que o Brasil é muito rico, mas está sendo mal administrado.
“R$ 20,00 e nada é quase a mesma coisa. O presidente deveria ter vergonha disso que ele chama de aumento. Para ele, pobre tem que ser pobre até morrer. Só que essas pessoas são justamente as que precisam de mais atenção. O salário mínimo no Brasil é salário de misériaâ€, desabafa.
Maria (nome fictício a pedido da entrevistada), que trabalha em uma empresa no departamento de limpeza, considera a medida um desrespeito ao trabalhador.
“Para um pai ou uma mãe que sustenta uma família, ganhar mais R$ 20,00 é absurdo, ridículo. Não dá para comprar duas caixas de leite. As coisas sobem quase todos os dias no supermercado e o nosso salário não muda nunca. É uma realidade muito tristeâ€, diz.
A presidente do Sindicato das Empregadas Domésticas de Bauru, Maria dos Anjos Pereira de Jesus, acha que R$ 20,00 não muda nada para um salário que já é baixo.
“Nós lutamos para que as domésticas tenham um piso de R$ 300,00, mas nunca conseguimos. O salário mínimo é muito baixo, então não faz diferença esse aumento de R$ 20,00. A sorte das empregadas é que muitos patrões pagam mais que um salário, que é o piso da categoriaâ€, aponta.
O empresário e diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Nunes Carvalho, diz que o aumento é tão pequeno que nem é possível esperar aumento de vendas no comércio em decorrência dessa alteração.
“A população vem somando perdas há muito tempo, principalmente os que sobrevivem do salário mínimo. Então, esse aumento de R$ 20,00 não significa nada. Trata-se de uma grande demagogia por parte do governo. De fato, nada está sendo feito para resolver esse problema e a população continua sendo sacrificadaâ€, opina.
Cesta básica com 9 itens
O Jornal da Cidade consultou dois supermercados para saber quantos produtos podem ser comprados com R$ 20,00.
Em um deles, a cesta básica que custa R$ 19,90 vem com dois quilos de feijão, dez quilos de arroz, duas latas de óleo, um pacote de café, um de fubá e um de farinha de trigo, uma lata de extrato de tomate, três quilos de açúcar e um pacote de biscoito recheado. Ao todo, são nove itens diferentes.
Em outro, a lista enviada à reportagem inclui os seguintes itens, com valor total de R$ 19,28: dois pacotes de macarrão espagueti, duas latas de óleo de soja, dois pacotes de farinha de trigo, um quilo de sal, dois pacotes de feijão, dez quilos de arroz, uma lata de extrato de tomate, um pacote de lã de aço (para limpeza), um litro de água sanitária e um pacote de sabão em pó de 900 gramas.