Os leitores desta coluna já devem estar, como eu, saturados do assunto colocado pelo respeitável missivista Fábio de Freitas Coradi, em seu artigo publicado nesta coluna, em 30 de março de 2002, referente à cota para negros em universidades. As palavras-chaves usadas pelo missivista para fundamentar suas críticas a esta lei foram: injustiça, discriminação, regalias, inconstitucionalidade... Caro Coradi, injustiça, discriminação e inconstitucional são os quase 502 anos de escravidão e subserviência que foram imputados àqueles que foram favorecidos pela aprovação da tardia lei de cotas. E regalias, são os impérios conquistados pelos senhores de engenho, capatazes, fazendeiros, governos, patroas domiciliares e todo tipo de exploradores que se fizeram através da manutenção e utilização da escravidão. Caro Fábio de Freitas Coradi: esta lei não passa de um direito conquistado pelo sangue e suor do corpo e da alma das várias gerações de afro - descendentes que construíram a riqueza material deste País. Como afro – descendente eu lhe digo, Coradi, que é justo e constitucional que os filhos daqueles que construíram e construirão as paredes e limparam e limparão os banheiros das universidades públicas brasileiras, possam utilizar-se destas dependências para adquirirem desenvolvimento intelectual e material. Se as cotas forem necessárias para prover o direito à prosperidade do meu povo, que assim seja! Sem mais, nem porém. (Gizele Regina dos Santos - RG 35.076.899-7)
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