Reginópolis - A maior penitenciária feminina do Estado de São Paulo deve ser instalada na cidade de Reginópolis até o final do ano. Com capacidade para 768 presas, o novo presídio é uma das 12 unidades prisionais anunciadas anteontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante assinatura de convênio com o Ministério da Justiça.
Reginópolis vai abrigar, ainda, outro novo presídio, também com 768 vagas. As duas unidades, chamadas de “penitenciárias compactasâ€, deverão ser instaladas a seis quilômetros da área urbana, na estrada que liga Reginópolis a Avaí, e vão custar cerca de R$ 20 milhões. As unidades compactas ocupam uma área física menor que as penitenciárias tradicionais, mas proporcionam grande quantidade de vagas devido à distribuição das alas de maneira diferente.
Atualmente, há quatro penitenciárias femininas em funcionamento no Estado: a da Capital, ao lado do Carandiru; a do Butantã; a do Tatuapé e a de Tremembé, no Vale do Paraíba. Juntas, elas abrigam 1.429 presas, número 68% maior que a capacidade total dos presídios, que é de 850. Na região, a Cadeia Pública de Cabrália Paulista, local que recebe todas as detentas da Seccional de Bauru, está com 50 mulheres, mas tem capacidade para apenas 25.
Apesar da Secretaria de Administração Penitenciária não ter divulgado oficialmente a instalação do presídio feminino em Reginópolis, a prefeita da cidade, Carolina Veríssimo (PMDB), afirma que o projeto está “99% certoâ€. “Tudo indica que (a penitenciária) vai ser femininaâ€, revela.
Empregos
Reginópolis tem cerca de cinco mil habitantes segundo o Censo de 2000. Com a instalação das duas novas penitenciárias, a cidade terá uma média de três habitantes para cada preso. Diante disso, o impacto dos presídios no cotidiano do município deverá ser significativo, especialmente no que se refere à geração de empregos.
A Secretaria de Administração Penitenciária estima que as novas unidades gerem cerca de 600 empregos diretos na cidade e na região. Há, ainda, a necessidade de se construir hotéis, pensões e restaurantes para atender os parentes dos presos durante os dias de visita.
Sendo assim, a prefeita prevê um “incremento†no comércio da cidade com a chegada dos presos, seus familiares e os guardas que deverão trabalhar nas unidades. Além disso, há outra particularidade: o presídio feminino exige mulheres como guardas, o que deverá causar uma mudança ainda inédita no cotidiano das cidades de pequeno porte que abrigam penitenciárias.
Para a prefeita, a instalação dos presídios não deve ter conseqüências negativas. Ela afirma que, até o momento, não chegou ao seu conhecimento nenhum grupo de Reginópolis que se opõe à implantação das penitenciárias. “Numa cidade pequena, a expectativa de quem não tem serviço é de que venha serviço para cáâ€, ressalta.