O comportamento do bauruense em ônibus, filas de banco e de supermercado tem apontado, mais uma vez, para uma falta de espírito de cidadania. Idosos que utilizam os veículos do sistema de transporte coletivo, por exemplo, reclamam que as pessoas não cedem os assentos preferenciais a eles, que muitas vezes são obrigados viajar em pé, ao lado de jovens que vão sentados.
“Eles não respeitam cabelo branco, não. Essa geração de hoje não está nem aí. Eu já tive que ir do Centro ao Gasparini em pé no ônibus porque as pessoas não levantaram para eu sentarâ€, conta a aposentada Júlia Cardoso, 72 anos. Para ela, a maior parte das pessoas que desrespeitam as placas de indicação de assento preferencial é jovem.
O aposentado Antônio de Souza, que utiliza diariamente ônibus para trabalhar em “bicosâ€, diz que às vezes os motoristas são obrigados a pedir para que determinadas pessoas cedam os assentos a idosos, gestantes, deficientes ou mulheres com crianças de colo. “O pessoal não respeitaâ€, reforça.
“Às vezes, estamos com três ou quatro sacolas nas mãos e, mesmo assim, eles não estão nem aí. Poucas pessoas respeitamâ€, acrescenta Luiz Orlando da Silva, 70 anos.
O motorista de ônibus José Rodrigues destaca que muitos idosos têm que viajar em pé. No caso das mulheres gestantes ou com crianças de colo, ele afirma que não dá a partida enquanto alguém não levantar e ceder o lugar a elas. “Enquanto a mulher não senta, eu não saio. Aqui, 99% das pessoas não respeitam. Eu acho que cada um tem que ter consciência sobre as coisas que fazâ€, acredita.
O cobrador Luiz Carlos Perotto convive diariamente com tais situações e tenta intervir, sempre que possível, para auxiliar idosos, deficientes, mulheres com crianças de colo e gestantes. “Eu converso com as pessoas para que elas cedam o assento para as outras. Quando os bancos de trás estão lotados, os jovens sentam na frente e ocupam os sete bancos para idososâ€, enfatiza.
Nas filas preferenciais de supermercados, a situação é semelhante. De acordo com Ana Carolina da Silva, que trabalha no caixa de um supermercado localizado na avenida Getúlio Vargas, os clientes não respeitam as placas que indicam que idosos, deficientes, gestantes e crianças de colo são atendidos preferencialmente. Alguns chegam a discutir com a funcionária para passar no caixa preferencial. “A gente tem que explicar que o caixa é preferencial. Muitas vezes isso termina em brigasâ€, conta.
Já Ângela Maria de Souza dos Santos, que tem um filho de um ano de idade, afirma que os maiores problemas que ela enfrenta são as filas de banco. “A gente chega com a criança de colo que às vezes está chorando e eles não dão o lugar. Precisa um funcionário do banco abordar e falar que a gente pode passar para a fila de atendimento preferencialâ€, reclama.
Direito previsto em lei
O direito de deficientes, idosos e gestantes ao assento preferencial nos ônibus do sistema de transporte coletivo de Bauru é previsto no decreto municipal 7.657, de 26 de abril de 1996.
No parágrafo 4.º, fica estabelecido: “Os dois primeiros assentos dianteiros dos ônibus serão destinados ao uso preferencial por pessoas portadoras de deficiências gestantes e idosos, os quais deverão estar devidamente identificados.â€
De acordo com o coordenador do Procon (órgão de defesa do consumidor) em Bauru, Silvio Orti, o Código de Defesa do Consumidor não tem mecanismos de controle ou de punição para os casos das pessoas que desrespeitam a norma de assentos ou atendimentos preferenciais para gestantes, idosos, deficientes e mulheres com crianças de colo.
“Não há nada que possamos usar de artifício legal para coibir isso. É mais uma questão de educação. Fica também um pouco a critério do atendente do banco ou supermercado controlar essa situaçãoâ€, expõe.