Pesca & Lazer

"O parteiro de Arraia"

(*) Roberto Natal Afonso
| Tempo de leitura: 3 min

Eu sou o Beto e a história que aconteceu comigo parece coisa de pescador, mas é verdadeira. Tudo aconteceu no começo de 2002 quando o Carlinhos Pedrosa me convidou para ir ao seu racho, que fica em Bonito, em frente ao rio Miranda. E como eu não sou de perder festa e muito menos pescaria, rapidinho fiz minha mala e partimos: eu, Carlinhos, Vera, Rodrigo, Carlão, Bete e Lucas.

Depois de 12 horas de viagem (essa é a parte dura das pescarias), chegamos em Bonito onde fomos fazer as compras, pois para chegar ao rancho ainda tínhamos mais 60 Km de estrada de terra.

Bem, vamos pular uns três dias de lorota e vamos para o principal, que aconteceu no quarto dia, e como de costume eu, Carlinhos e Carlão, tomamos todas na parte da manhã e depois de almoçar fomos tirar aquele cochilo. Na parte da tarde sempre eu e o Lucas íamos para a beira do rio para pegar uns peixinhos, pois na época em que estávamos lá a pesca estava fechada, então só se podia pescar de barranco com vara de mão. Mas como todo pescador que se preze, eu queria era um peixe grande, então o Carlinhos me emprestou o molinete dele (que eu nem sei porque ele levou pois, o mais perto que ele chega do rio é uns 50 metros).

Ficamos tentando pegar um peixe pequeno para isca, mas estava muito ruim e o Lucas logo desistiu e subiu para casa. Depois de muito insistir, peguei um tambiú “da hora” para isca; coloquei no molinete e deixei lá armado, enquanto ficava pescando umas mandiúvas para passar o tempo.

Depois de uns 30 minutos, a vara do molinete envergou que foi uma beleza. Aí o coração disparou, pois achei que era um pintado, então catei a vara e fisguei...

Foi aí que o bicho pegou, pois estava com equipamento leve e naquele rio cheio de enrosco pensei: não vou conseguir tirar. Então fiquei tentando o bicho por uns 15 minutos, quando vi que ele já estava perto, gritei para o Lucas: “Corre aqui que peguei um monstro”, ele veio correndo com o puçá e no embalo também vieram a Vera, a Bete e o Carlão com a máquina fotográfica para registrar o momento.

Mas quando o bicho colocou a cara para fora, minha decepção foi grande, pois era uma arraia enorme. A Vera já correu e pegou a danada com o puçá e colocou no tablado para as fotos pois nunca tínhamos visto uma arraia ao vivo. Mas de repente começou a sair um líquido verde que manchou o tablado, nisso eu virei a danada de barriga para cima para tirar o anzol, foi quando vi uma pequena arraia nascendo. Rapaz foi um alvoroço. Todos de boca aberta com o que estava acontecendo. Saiu uma, logo em seguida outra e mais outra. Então rapidamente tirei o anzol e a Vera jogou a arraia na água junto com os filhotes para que não se perdessem da mãe e dos outros que ainda iriam nascer, pois nem sei quantos filhotes nasceram. Eles já saíram nadando, todos juntos.

Apesar de não ter pegado o meu peixão tive uma aventura inesquecível.

Roberto Natal Afonso é pescador dos bons!

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