Bairros

Entidades 'disputam' Pq. St. Edwirges

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O Parque Santa Edwirges, bairro com a maioria das ruas de terra e esburacadas, localizado na região noroeste de Bauru, está ganhando a segunda entidade em defesa dos direitos dos moradores. Trata-se da Sociedade de Amigos do Parque Santa Edwirges, que se propõe a lutar pela resolução dos problemas do bairro e principalmente atuar na área social, o que inclui distribuição de remédios e cestas básica a pessoas necessitadas e orientação e encaminhamentos na área de saúde.

O presidente provisório da nova entidade é o ferroviário Carlos Ferraz, 42 anos, que até poucos dias integrava a diretoria da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges. “Estamos fundando a sociedade de amigos porque o bairro é grande e só a associação não dá conta de atender todos que precisam”, justifica.

Porém, Ferraz não esconde que decidiu fundar outra entidade porque passou a discordar de algumas linhas de atuação da associação de moradores, que é presidida pelo servidor municipal Vivaldo Guimarães Martins. “Algumas coisas que eu queria fazer, como distribuir cestas básicas a quem precisava, ele (Martins) ia contra”, explica Ferraz.

O presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges confirma a diferença na linha de atuação. “Nosso trabalho é pautado pelas prioridades tiradas das assembléias trimestrais. E essas prioridades têm sido na área de asfalto, rede de esgoto e galerias. O Ferraz nem participava das reuniões e preferia fazer arrecadação para montar cesta básica”, conta.

Martins, que é filiado ao PPS, não vê problema na fundação da sociedade de amigos para atuar na área assistencial. Mas afirma que já existe uma entidade no bairro, também presidida por ele e que atualmente está desativada, que propõe-se a fazer o mesmo trabalho. Para ele, é mais importante lutar e cobrar do poder público infra-estrutura para o bairro. “Falta muito, mas depois de anos de luta, conseguimos que algumas das reivindicações fossem atendidas. Agora, por exemplo, está para ser implantado mais uma boa metragem de rede de esgoto”, conta.

Garantindo que o seu único objetivo é ajudar quem precisa, priorizando os doentes, Ferraz, que é filiado ao PSDB, conta que usa boa parte do seu salário, de cerca de R$ 450,00 mensais, para comprar remédios e cestas básicas. “Mas a gente também conta com ajuda da população. Quando eu preciso de uma cesta básica para alguém que está passando fome e não tenho mais dinheiro, eu faço uma arrecadação no bairro e as pessoas colaboram”, afirma.

Morador do Parque Santa Edwirges, Fernando Antônio de Oliveira Graça aprova a fundação de mais uma entidade para defender os direitos da população do bairro. “Acho bom porque aumenta a pressão e sabemos que as coisas só acontecem com pressão política’, afirma.

Mas ele aproveita para cobrar as duas entidades, frisando que o bairro precisa de asfalto, iluminação e mais segurança. “Queremos asfalto nas ruas - e não piçarra, como falaram. Não tem asfalto nem em frente à nova escola (Emef Maria Chaparro Costa). Quando chove, vira um barro só. A prefeitura prometeu o asfalto, mas até agora, não fez nada”, frisa.

Dinheiro do bolso

O ferroviário Carlos Ferraz, que está afastado do trabalho por licença médica, diz que não se importa de gastar quase todo seu salário para ajudar as pessoas. “Eu sou pobre, mas não tenho problema nenhum em gastar meu salário com quem precisa. Minha mulher tem um bar que também ajuda no sustento da família. Mas o dinheiro que arrecadamos é guardado numa conta, que é administrada pela diretoria”, explica.

Só com o registro da entidade em cartório, Ferraz vai desembolsar R$ 65,00. Ele também vai dividir com outros membros da diretoria da sociedade de amigos o aluguel de um salão, especialmente locado para ser a sede da entidade. “Vamos pagar R$ 60,00 por mês pelo salão, que é pequeno, mas vai funcionar como centro comunitário”, diz. A diretoria da sociedade de amigos é composta por 15 amigos de Ferraz, que também estão dispostos a ajudar financeiramente com a entidade.

“A inauguração do centro comunitário será dia 13, com churrasco”, avisa. A festa também será paga pelo ferroviário. No ano passado, quando era vice-presidente da associação de moradores, Ferraz diz que atendeu cerca de 400 pessoas no entre distribuição de cestas básicas e remédios. “Agora mesmo estou atrás de uma cesta básica para uma menina de 27 anos que é paralítica e o pai morreu. Enquanto ela não recebe a aposentadoria do pai, se ninguém ajudar, passa fome”, frisa ao negar que tenha pretensões políticas.

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