Economia & Negócios

Diminui o número de 'vagas boas' no mercado de trabalho

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

No primeiro trimestre deste ano, em Bauru, foi registrada queda de aproximadamente 22%, em média, na quantidade de boas vagas disponíveis no mercado de trabalho, na comparação com o mesmo período de 2001. O índice é resultado de um levantamento feito por três empresas da área de Recursos Humanos (RH) e pelo Centro de Orientação para o Trabalho (COT).

As chamadas “vagas boas” são aquelas oferecidas por empresas bem estruturadas em seu segmento, com características de registro em carteira, bom salário, estabilidade, benefícios sociais e trabalhistas e possibilidade de crescimento profissional para o trabalhador.

Na avaliação dos especialistas entrevistados pelo JC, a principal causa para a queda seria a recessão econômica nacional, que leva empresários a reduzir custos operacionais e a terem dificuldades em assumir a manutenção de encargos aos funcionários.

No COT, a assistente de psicologia Mara Sílvia de Oliveira Gonçalves diz que, nos primeiros três meses deste ano, 15 empresas procuraram o órgão oferecendo 26 boas vagas em diversos setores - principalmente indústrias de painéis, de couro e empresas comerciais.

Esses números são, respectivamente, 11,76% e 18,75% menores que os registrados em igual período do ano passado, quando 17 empresas abriram 32 vagas.

Também referente ao primeiro trimestre deste ano, o COT atendeu 450 pessoas à procura de emprego. Desse total, 132 foram encaminhadas ao mercado, sendo que 60 tiveram sua vaga efetivada, segundo Mara. Outros 20 candidatos estariam em fase de seleção.

No ano passado, no mesmo período, foram 1.003 desempregados atendidos no órgão, 102 encaminhados e 44 colocados no mercado de trabalho. Segundo Mara, a diminuição na quantidade de pessoas atendidas pelo COT neste ano não significa exatamente queda da demanda.

“Na realidade, estamos fazendo um trabalho diferente. Procuramos nos aprofundar mais numa menor quantidade de casos para conseguir aumentar o volume de colocações no mercado. Por ora, está dando certo”, observa Mara.

Mirela De Preto Vioto, psicóloga de uma empresa especializada na seleção de mão-de-obra (RH), informa que no primeiro trimestre deste ano foram oferecidas, através dessa agência, 26 vagas boas em diversos ramos de atividade.

No mesmo período do ano passado, foram 33 vagas. A queda verificada é de 21,21%.

“Em razão de dificuldades financeiras, muitas empresas estão reduzindo custos, enxugando seu quadro de pessoal e transformando os funcionários em multifuncionais. A situação é reflexo do atual cenário da economia nacional”, diz Mirela.

Temporários em alta

Daniela Gibin Duarte de Matos afirma que, pelos registros de sua empresa de assessoria em RH, nos primeiros três meses deste ano teriam sido ofertadas 10% menos vagas boas que no mesmo período do ano anterior. Por outro lado, teria aumentado a contratação de serviços temporários.

“Este ano está sendo marcado pela reestruturação das empresas, marcada pela readaptação a uma nova realidade do mercado de trabalho. A instabilidade econômica gerou a queda na oferta de boas vagas. Porém, houve aumento de contratações temporárias”, afirma.

De acordo com Daniela, esse crescimento teria ocorrido em função da necessidade de aumento de produção para o segundo trimestre, sem poder elevar o quadro efetivo e sem garantias de que haverá necessidade de permanência dos funcionários.

Redução bem mais acentuada foi verificada por outra empresa de RH da cidade. De acordo com a psicóloga Priscila César Monteiro, a queda registrada neste ano, em relação a 2001, foi de aproximadamente 40%.

Ter pelo menos o 2.º Grau completo é fundamental no quesito escolaridade para ter mais competitividade no mercado atual, segundo Priscila. Ela diz que cerca de 300 pessoas passam pela empresa, semanalmente, à procura de emprego.

“Para ter mais chances de conquistar uma vaga, principalmente a boa vaga, é essencial que o candidato tenha concluído o 2.º Grau, que saiba informática e invista em cursos técnicos e profissionalizantes para aumentar sua qualificação”, orienta a psicóloga.

Somente no Centro de Estudos e Pesquisa para Encaminhamento ao Trabalho (Cepet) o cenário parece ser mais otimista. Segundo a assistente social Patrícia Souza dos Santos, durante todo o ano passado foram oferecidas 63 boas vagas para o cargo de vendedor, por 29 empresas.

Durante os três primeiros meses deste ano, 13 empresas já teriam ofertado 25 vagas. “Pelo ritmo registrado até o momento, a tendência que se mostra é de 2002 ser melhor do que o ano passado”, observa Patrícia.

Nesse órgão, não foi possível obter os registros referentes somente ao primeiro trimestre de 2001.

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