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Não dizimem as florestas!


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O automóvel, sem peias nas rodas, o motor, recém-retificado, sem possibilidade de falhar, corria célere, sem quaisquer problemas. Deslizava bonitinho, enfrentando as distâncias, sem ser obstaculizado nem mesmo por animais silvestres naturalmente circulantes no centro da rodovia. Tal qual o veículo não percebíamos também nadinha à distância, pois o amplo cenário parecia destituído de qualquer anormalidade. E, assim, prosseguíamos a nossa esticada sertões adentro. À certa altura, porém, pareceu-nos observar algo diferente no cenário. Coisa que o “carango”, por não ser humano, não tendo olhos para ver, não poderia realmente divisar. O amplo arvoredo, que em outras épocas denotava-se encantadoramente saudável, revelava agora carência de vitalidade. Estava como que triste. A ampla folhagem como que sem o tradicional viço. O que estaria ocorrendo com tantos exemplares da espécie? Teriam os homens feito a eles algum mal, tornando-os sujeitos a qualquer espécie de enfermidade, até porque aí temos como lembretes, nas páginas da imprensa, notícias dando conta de que “as florestas virgens do mundo estão desaparecendo, devastadas pela exploração ilegal de madeira, pelas concessões de minas e pelo avanço da civilização urbana?”. Alguma coisa poderia ser, inclusive porque se têm como testemunhos estudos regionais, levantados, durante dois anos, em cerca de 50% das matas virgens que corajosamente resistem às malvadezas do universo, particularmente na Rússia, África Central, América do Norte, Chile, Venezuela e Indonésia, de conformidade com o qual as florestas estão em vias de extinção, morrendo vagarosa e desoladamente no mundo. Constata-se, então, que nossos belos arvoredos estão no fim da vida, enveredando, chorosas, para suas sepulturas, seu derradeiro sono, o que significa, pura e simplesmente, que a humanidade está condenada a perder de seu contato um dos elementos naturais que mais utilidade prática exercem em sua problemática existência. Por que a selvageria? Por que marcharem sobre as florestas milhões de insensatos, que, repetindo os assassinos urbanos, vestem capuzes disfarçantes e saltam sobre a vegetação dos campos, dizimando ferozmente o que vêem pela frente, fato que acontece também, criminosamente, na Amazônia e outras regiões nacionais, nas quais os processos de devastação não intimidam os arrasadores e até os empolgam, enchendo os seus olhos com o espetáculo da queda das infelizes árvores, meigas e mansas no aprazível berço em que nasceram. Aqui, neste Brasil brasileiro, que faremos um dia sem os arbustos que enfeitam nossas rodovias, nossos parques, nossas avenidas, os jardins das praças e das nossas casas? Vai ser uma tristeza descomunal! E se pergunta: qual o mérito de se eliminar os que vivem a existência dos justos? A que título depreciar aquilo que é um tesouro da humanidade? É a nossa opinião.

(O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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