Uma falsa ameaça de bomba fez com que uma galeria localizada na quadra 5 do Calçadão da rua Batista de Carvalho fosse evacuada na tarde de ontem. Mais uma vez, uma brincadeira de mau gosto deslocou policiais e bombeiros e causou transtornos em pleno Centro da cidade.
O problema começou quando, por volta das 13 horas, a lojista Anaiza de Oliveira Soares atendeu ao telefone público comunitário, instalado nos fundos do empreendimento. Segundo ela, era um homem de voz firme, que deveria ter aproximadamente 50 anos. Ele perguntou se ela trabalhava no local e com a resposta afirmativa, fez o aviso. “Tem duas bombas aí que vão explodir às 15 horas.â€
A lojista conta que, logo em seguida, o homem bateu o telefone e 20 minutos depois tornou a ligar, questionando se os artefatos teriam sido encontrados, desligando o aparelho em seguida.
Após a segunda ameaça, os comerciantes do local decidiram acionar o corpo de bombeiros e a polícia, que às 14h30, providenciou a evacuação do local e demarcou uma área de isolamento.
Enquanto os proprietários do empreendimento, Júlio Choe e Argeu Alves, aguardavam apreensivos do lado de fora acompanhados pelos funcionários que questionavam se as pessoas viriam comprar nos próximos dias ou ficariam com medo, os policiais e os bombeiros fizeram uma prévia vistoria no prédio e aguardaram o prazo dado pelo denunciante.
Após alguns minutos, iniciaram aos poucos um rastreamento das lojas acompanhados pelos proprietários dos 58 boxes da galeria. Na busca, qualquer objeto suspeito seria posteriormente analisado.
Como nada foi encontrado, o tenente Renato Ramos da Polícia Militar, especialista em bombas e explosivos, constatou que a denúncia não passava de uma brincadeira de mau gosto. E segundo ele, a pessoa que passou o trote deveria estar observando a movimentação, pois um terceiro chamado teria sido feito na loja vizinha, informando que a bomba explodiria às 17 horas, não mais às 15h. “Com certeza, ele está no meio de nósâ€, sentencia.
O policial alertou que este seria mais um indício de brincadeira indevida, mas como não poderiam descartar o telefonema. O grupo ficaria em estado de alerta.
Prejuízo
Um dos proprietários do centro de comércio, Argeu Alves, alegou que o local não tem histórico de bombas ou outras ocorrências e que não havia nenhuma demissão que pudesse ter originado uma possível vingança. “Desde o início acreditei num trote, mas é sempre melhor previnir.â€
Até mesmo os funcionários do local foram questionados pelo tenente Ramos sobre eventuais brigas domésticas ou desavenças amorosas que pudessem ter gerado a ação inconseqüente.
As três horas de tensão e tumulto no Calçadão também geraram prejuízo aos comerciantes das lojas da galeria. Júlio Choe calcula que numa sexta-feira, dia naturalmente movimentado, que coincidiu com o quinto dia útil do mês, data de recebimento de salários, as perdas poderiam chegar a R$ 40 mil, somando volume de vendas, despesas com pessoal e negociações não realizadas.
Ele revela que irá intensificar os recursos de segurança do espaço e a primeira medida será instalar um identificador de chamadas no telefone.
Grupo especializado
Para ocorrências deste tipo, o Interior do Estado dispõe apenas de alguns policiais dentro das corporações que são especialistas em artefatos explosivos e bombas. Apenas a Capital dispõe dos serviços do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).
Segundo o sargento Francelin, do Corpo de Bombeiros, a medida nestes casos é acionar a delegacia de plantão para tomar as providências. Na ausência de um delegado, o policial que comanda a operação que atende a ocorrência pode comandar as ações de socorro.
“Tudo é feito para que não se tenha vítimas e se permanece no local até que se constate estar a situação ou o local livre de perigoâ€, aponta. Francelin revela também que, nestes casos, o policiamento acaba assumindo as responsabilidades momentâneas da situação.
Mesmo tendo em Bauru profissionais que se dedicam a ocorrências envolvendo bombas, lamenta-se o Interior não ter numa emergência uma unidade próxima. Bem como, critica-se a atitude de certas pessoas em passar trotes e fazer com que efetivos se desloquem a uma ocorrência, deixando outras áreas desprovidas de policiamento.