Economia & Negócios

Faturamento de pequenas empresas tem queda de 23%

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

O faturamento das micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo ficou 23% menor no primeiro bimestre de 2002 na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP em parceria com a Fundação Seade. Em fevereiro, ocorreu uma queda de 4,9%, se comparado com janeiro.

Quando se confronta o mês de fevereiro deste ano com o mesmo mês de 2001, a perda de faturamento chega a 22,7%. Nesta comparação, por setores, o segmento que mais perdeu foi a indústria, com redução 27,4%. O setor serviços vem em seguida com 25% de queda. O comércio teve perda de 16,4% do faturamento.

No acumulado do ano, por setores, o setor serviços foi o mais atingido, com baixa de faturamento de 29,4%, enquanto a indústria perdeu 25,9% e o comércio 15,9%.

Na comparação de fevereiro com janeiro, o comércio foi o que mais contou com resultados negativos, com perda de 6,9% no faturamento, seguida pela indústria, com queda de 4,7%. O setor de serviços foi o único que teve com aumento, de 1,1%.

Comparando-se fevereiro com janeiro, a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) foi a que menos perdeu em faturamento. A queda foi de 4,7%, contra redução de 5,1% do Interior. Porém, nos últimos 12 meses, o Interior apresentou perda de 18% contra 26,5% da RMSP. No primeiro bimestre a redução de faturamento no Interior, que chegou a 18,1% foi menor do que os 26,5% da Região Metropolitana.

A queda do faturamento no mês, de acordo com os técnicos do Sebrae-SP, é explicada, em parte, por fatores sazonais: fevereiro teve quatro dias úteis a menos do que janeiro. Mas parte também deve ser entendida como reflexo da desaceleração da atividade econômica dos últimos meses de 2001. Também por isso, o faturamento nominal das MPEs em fevereiro de 2002 ficou 22,7% abaixo na comparação com o mesmo mês do ano passado.

No entanto, na avaliação da Área de Pesquisa e Planejamento Estratégico do Sebrae-SP, a tendência é de recuperação, ainda que lenta e gradual, devendo ser mais nítida a partir do segundo semestre deste ano. Isso em conseqüência de sinais positivos que já aparecem no cenário econômico, como a redução de juros pelo Conselho de Política Monetária (Copom) e o fim do racionamento de energia elétrica . Além disso, a cotação do dólar fechou o mês de março em R$ 2,30, o que, junto com a recuperação da economia norte-americana, favorece as exportações brasileiras. Em contrapartida, o mercado de trabalho ainda se encontra deprimido, e, por essa razão, a retomada deverá ser lenta.

Ocupação

No item Índice de Pessoal Ocupado (IPO) verificado pela Pecompe, o acumulado do ano registra queda. O índice está 11,8% menor na comparação dos dois primeiros meses de 2002 com igual período do ano passado. Na comparação de fevereiro com janeiro, o índice ficou 2,1% menor. Porém, na comparação de fevereiro de 2001 com o mesmo mês do ano passado, há uma queda de 13,1%. A maior perda, nessa última comparação, também está na RMSP, com queda de 16,2%, enquanto o Interior tem redução de 8,7%.

Já os gastos com salários das MPEs caíram 2,6% na comparação entre os meses de fevereiro e janeiro. Uma redução de 13,5% é verificada quando se compara fevereiro com fevereiro de 2001. No acumulado do ano, houve uma queda de 13,5%.

Desempenho negativo

O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, lembra que o desempenho negativo apontado pela pesquisa refere-se a fevereiro deste ano, mês em que o ambiente econômico não vinha sofrendo grande pressão.

Ele lembra que o cenário econômico daquele mês era de juros em queda gradativa, descolamento da Argentina e economia norte-americana em recuperação. “Mas foi um mês atípico. O Carnaval levou a um menor número de dias úteis, portanto, menos tempo para trabalhar as vendas”, ressalta.

Para o delegado do Corecon, os consumidores brasileiros se comportaram cautelosamente. A grande pressão das despesas de início de ano levou a retração. Cafeo diz que a combinação menor número de dias e esse comportamento cauteloso prejudicou o desempenho das empresas.

O que mais chama a atenção, na opinião do economista, é a queda expressiva sobre fevereiro do ano passado. â€œÉ certo que vivíamos um momento de expectativa positiva para economia brasileira. O apagão ainda não era tratado de forma significativa”, afirma.

Cafeo diz que, o ano 2000 apontava para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2001 de 4,5%. A base de comparação foi alta, informa o delegado, mas mesmo assim, considerando o ambiente de maior tranqüilidade deste ano, era de se esperar uma queda mais modesta.

Cafeo destaca que o Interior é o segundo maior mercado do País e como o desempenho é pulverizado, por vezes, acaba apresentando no conjunto performance melhor, o que explica a menor queda dos índices, como citado na matéria principal. “Seria plausível prever que, em março, pudéssemos ter uma recuperação e até mesmo projetar uma performance melhor para o ano, contudo, dada a vulnerabilidade nosso modelo econômico, considerando as incertezas quanto a eventual crise do petróleo, poderemos ter ainda uma retração no faturamento”, projeta.

Para o delegado do Corecon é importante destacar, ainda, que março do ano passado ainda não tinha sido contaminado com o advento do apagão, portanto, a base ainda será maior.

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