Professores e alunos dos departamentos de Arquitetura e Engenharia Civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru) estão iniciando uma pesquisa que pretende avaliar a qualidade dos projetos habitacionais populares e propor soluções para possíveis falhas e conflitos.
As coordenadoras do estudo, arquitetas Silvana Aparecida Alves e Renata Magagnin comentam que o trabalho tem vários objetivos. “Um deles é mostrar que a arquitetura é um direito de todos. O outro é mostrar o papel social do arquiteto, de levar qualidade à obra. O terceiro é mostrar ao aluno da graduação a importância deste conhecimento chegar a todas as camadas sociais. Tudo isso divulgando o papel da universidade, que não é apenas uma massa pensante, mas que aplica suas pesquisas para o bem da comunidadeâ€, ressalta Alves.
Segundo ela, o estudo arquitetônico de uma obra pode garantir qualidade de vida e conforto ao morador. O profissional é capaz de avaliar as melhores alternativas de aproveitamento dos espaços, as melhores disposições, os materiais adequados de acordo com o clima e localização do terreno, os dispositivos necessários para oferecer ventilação e conforto térmico e muito mais, com redução de custos e do desperdício.
De acordo com as professoras, a pesquisa parte da constatação de que os projetos habitacionais prevêem espaços cada vez mais reduzidos com o passar do tempo. Os núcleos mais recentes, segundo elas, têm quartos menores e transformaram sala e cozinha em espaços integrados.
No entanto, elas citam algumas recomendações técnicas preconizadas pela Arquitetura como requisitos mínimos para garantir conforto e qualidade de vida. Uma delas, por exemplo, é a de que um cômodo precisa ter pelo menos nove metros quadrados, com três metros de altura de pé-direito para garantir a ventilação e temperatura adequadas. Nos conjuntos habitacionais, as dimensões são menores que estas.
“Vamos estudar casas do Núcleo Bauru 22, o último lançado na cidade e levantar hipóteses para todos os problemas encontrados. Temos prazo de um ano para chegar a algumas conclusões. Nossa intenção é, a partir delas, apresentar sugestões e propostas para futuros projetos de habitação socialâ€, salienta Magagnin.
As professoras afirmam que a intenção é dar continuidade aos estudos nos anos seguintes, abrangendo outros bairros e os espaços comunitários existentes neles.