Araraquara - A Embraer deve fabricar o caça Mirage em Gavião Peixoto, independentemente de vencer ou não a licitação aberta pelo governo brasileiro para renovação da frota de combate da Força Aérea Brasileira (FAB). O anúncio foi feito na última semana, em Santiago, no Chile. A fabricante brasileira formou um consórcio com a francesa Dassault Aviation para produção da aeronave.
Batizada de “Consórcio Mirage 2000 BRâ€, a associação inclui as também francesas Snecma Moteurs e Thales Airborne Systems. O anúncio foi feito por executivos das quatro empresas. Segundo a assessoria de imprensa da Embraer, as empresas vão combinar seus esforços e recursos nos campos estratégico, técnico, industrial, logístico e comercial para a fabricação da aeronave.
A parceria é uma estratégia para tentar vencer a concorrência internacional aberta pelo governo brasileiro para a compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). O Mirage 2000 BR é um modelo “muito competitivo†ao programa F-X Br, da Força Aérea Brasileira, diz a Embraer.
Mas o consórcio vai oferecer a aeronave também aos demais países da América Latina e de outras partes do mundo. O lançamento do consórcio no Chile já faz parte da estratégia de venda do avião.
Cerca de 600 aeronaves Mirage 2000 foram encomendadas à Dassault por oito forças aéreas, das quais três colocaram um segundo pedido e uma colocou um terceiro. A Dassault é sócia do capital votante da Embraer.
A proposta do consórcio é desenvolver uma nova versão do avião, denominada “Mirage 2000 BRâ€, com poder de destruição muito superior ao do atual Mirage 2000-5 Mk2, da Dassault. “As companhias que integram o consórcio estudaram e propuseram as adequações apropriadas na aeronave, visando atender aos requisitos brasileirosâ€, informa a assessoria da Embraer.
A coordenação das atividades das empresas parceiras do “Consórcio Mirage 2000 BR†estará, em todas as áreas, a cargo da Embraer, que exercerá o papel de líder do Consórcio. Atividades de análise, desenvolvimento e ensaios para o Mirage 2000 BR serão conduzidas em conjunto, em instalações da Embraer no Brasil, ou de seus parceiros na França. Uma linha de montagem final do modelo está sendo implantada no Brasil, nas novas instalações da Embraer em sua planta de Gavião Peixoto.
Segundo a Embraer, o acordo permite a completa transferência de tecnologia para desenvolvimento e produção da aeronave, uma vez que não há restrições do governo francês. O consórcio prevê, entre outros aspectos, a transferência dos laboratórios de engenharia de software – incluindo acesso completo aos códigos-fonte do sistema de armas do Mirage BR – o que permitirá à Embraer, sob solicitação do governo brasileiro, modificar o sistema da aeronave, garantindo assim sua total adaptabilidade a sistemas de armas e equipamentos adicionais que venham a ser requeridos durante todo o ciclo de vida do jato.
Após o anúncio do “Consórcio Mirage 2000 BRâ€, as ações ordinárias da Embraer registraram a quinta maior alta do Ibovespa, subindo 1,3%, para R$ 11,05. A Embraer aposta nos produtos para a aviação militar como uma maneira de elevar seu faturamento este ano, já que projeta encomendas menores para a aviação comercial. A empresa não informou quando a produção dos jatos em Gavião Peixoto será iniciada.
(*) Tribuna Impressa/ Especial para o JC