Dinheiro para financiar campanha eleitoral é um ingrediente importante na engrenagem política, mas para os candidatos ‘nanicos’ à Assembléia Legislativa e à Câmara dos Deputados não é tudo. Para eles, muito mais importante que o item financeiro estão a conversa direta e franca com o eleitorado, na busca da credibilidade de suas propostas.
Além da saliva, outra importante ferramenta de trabalho para os ‘nanicos’ é a sola de sapato, vítima direta dos vários quilômetros percorridos nas visitas diárias a eleitores. “O dinheiro não substitui o calor humano de um eleitor que te recebe com prazer em casaâ€, diz o advogado Wilson Brasil, que disputa uma vaga à Câmara dos Deputados pelo Partido Republicano Progressista (PRP).
Ele não é novato na política. Antes de tentar pela primeira vez a eleição a deputado federal, Brasil disputou três vezes a Câmara Municipal sem sucesso. “Vou fazer uma campanha boca-a-boca, com sinceridade e sem demagogia. Não estou preocupado com dinheiroâ€, garante.
O advogado confessa que já iniciou seus contatos e afirma que sua pré-candidatura está sendo bem aceita. “Meu nome é bem aceito ou é o povo é que está muito educadoâ€, diz, brincando. O candidato trabalha com temas ligados à credibilidade da cidade.
“Bauru está órfão de pai e mãe. Eu não tenho feito promessas, mas compromissos que pretendo cumprir se for eleitoâ€, discursa. Ele conta que sua agenda de visitas diária soma de 14 a 16 horas de muita conversa e bate-papo nas ruas e em casas de amigos. Seu partido, o PRP, deve eleger deputado federal a partir de 15 mil votos.
Interesse comum
O fato de ser genuinamente bauruense é levado em consideração pelo mecânico Paulo Roberto Boletti, que acredita que essa característica poderá lhe render um bom número de votos. Ele deverá disputar uma vaga à Assembléia Legislativa pelo PT do B.
Morador da Vila Cardia, bairro onde nasceu e vive até hoje, Boletti é novato na política. Pela primeira vez disputará um mandato. Na eleição municipal passada, o mecânico teve sua candidatura de vereador impugnada pela Justiça Eleitoral devido à filiação em dois partidos.
“O que a política precisa é de gente que defenda os interesses da comunidade e não o particularâ€, avalia. Ele critica a atual classe política, que no ponto de vista dele é ruim. “O País está um caos. É só ver os baixos salários do povo, os problemas de saúde, da segurança.â€
Pelos cálculos do mecânico, seu partido elegerá deputado estadual a partir de 15 mil votos, margem de votação que ele considera favorável se levado em conta a linha de corte dos partidos maiores, alguns dos quais não conseguirão eleger candidatos com menos de 50 mil votos.
Renovação
A descredibilidade dos atuais políticos junto à sociedade é a principal arma de campanha do pré-candidato à Câmara dos Deputados César Ferreira, que será lançado pelo Partido Social Democrático Cristão (PSDC). Pela primeira vez ele vai se expor ao eleitorado e experimentar o outro lado da política. Ferreira sempre assessorou a classe.
“O que eu ouço nas minhas andanças e contatos com o eleitorado é a palavra renovação. Eles acham que é preciso renovarâ€, diz. O pré-candidato acredita que conseguirá se eleger à Câmara dos Deputados a partir da soma de 20 mil votos, ou seja, 10% do colégio eleitoral de Bauru, hoje calculado em 200 mil eleitores.
O democrata cristão também defende a tese de que para se fazer uma boa campanha não é necessário somente dinheiro. Ele diz, no entanto, que vai contar com a ajuda de amigos e de alguns empresários que vão investir na sua candidatura. “O resto é muita conversa com os eleitores.â€