Editorial
A tática da intimidação, quando usada, bem demonstra a fraqueza de quem dela lança mão, assim como deixa indícios bastante legíveis de sua procedência, inclusive não sendo difícil distinguir entre a simulação e a dissimulação. Neste final de semana, novamente recorreram a esse expediente para tentar intimidar o jornalista Nélson Gonçalves, desta vez com ameaças à sua integridade física. Detalhes deste fato estão sob sigilo, por ora, para encurtar o caminho que levará a polícia aos autores, sobre os quais já existem vários indícios.
Aos covardes, que tentam agir sob o manto do anonimato, deixamos bem claro que esse tipo de iniciativa não funcionou até hoje e não vai funcionar no futuro, uma vez que a missão deste meio de comunicação não está baseada no trabalho de apenas um de seus profissionais, mas na determinação permanente e sagrada de cumprir sua missão de promover a cidadania democratizando o acesso à informação e isso inclui o jornalismo investigativo, o questionamento e a busca permanente da verdade de maneira imparcial, profissional, incansável e determinada.
Reconhecido nacionalmente e também além-fronteiras por sua independência editorial e por sua coragem de enfrentar adversidades, ameaças, retaliações e também agressões, o Jornal da Cidade não se deixará intimidar por quem quer que seja, assim como dará a todos os seus profissionais a retaguarda e o respaldo necessários ao desenvolvimento de seu trabalho e à manutenção de sua integridade física e moral, recorrendo a todos os meios legais e institucionais necessários para tanto.
A WAN – Associação Mundial de Jornais, a SIP - Sociedade Interamericana de Imprensa -, a ANJ – Associação Nacional de Jornais, a ABI - Associação Brasileira de Imprensa, APJ- Associação Paulista de Jornais, o Sindicato dos Jornalistas, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Polícia e outras instituições já estão sendo notificadas sobre o ocorrido, assim como já estão sendo tomadas outras medidas concernentes para apuração dos fatos e punição de seus responsáveis.
Também o destacamento de vários outros profissionais para a área de jornalismo investigativo de imediato triplicará a capacidade de obtermos e gerenciarmos informações nesse setor da redação, as quais serão usadas para municiar as autoridades e, especialmente, a opinião pública, que cada vez mais está a exigir transparência, legalidade e punição, como caminhos em busca do saneamento das “bandas podres†encontradas em diversos segmentos da sociedade. Aliás, os incautos não sabem que todo trabalho jornalístico, mesmo por uma questão de segurança, é compartilhado com vários profissionais e em sigilosos bancos de dados, numa rede de informações muito mais ampla do que se possa imaginar.
Não serão ameaças nem posturas truculentas que irão nos calar. Pelo contrário, ao constatar que ainda existem os que teimam nesse tipo de expediente, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde serão desmascarados e punidos, investiremos ainda mais em nossas estruturas jornalísticas e mobilizaremos todos os meios de nosso grupo de comunicação, assim como nossos inúmeros parceiros na área que, solidários, já se encontram em alerta e antenados na apuração e divulgação dos fatos, que se antes já teriam grande repercussão apenas pelas publicações no JC, agora ganham dimensão ainda maior. Portanto, se o objetivo era calar este jornal, o efeito alcançado foi justamente o contrário, pois agora mais do que nunca os fatos dessa natureza que repercutirem aqui serão amplificados de forma nunca vista anteriormente.