Polícia

Adolescente acusa policiais de abuso de autoridade e agressão

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Um adolescente de 17 anos, morador da Vila Bela, está acusando policiais militares da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de abuso de autoridade. O rapaz teria sido agredido em duas ocasiões.

De acordo com ele, na última quinta-feira, onze policiais chegaram em três viaturas e duas motos à casa em que estava, que fica na quadra 3 da rua Tiradentes, na Vila Industrial. Sem mandado judicial, eles teriam revirado os objetos e móveis da casa, alegando estar à procura de armas. Eles teriam agredido o adolescente a socos e pontapés. “Eles bateram em mim falando que eu sabia onde estavam as armas, mas eu não mexo com isso”, afirma o rapaz.

Os policiais teriam, ainda, levado um álbum de fotografias familiares do morador da casa e testemunha dos fatos, outro adolescente, 16 anos, além de documentos pessoais e da motocicleta do rapaz.

Orientado pelo advogado Eurípedes Ribeiro, o adolescente registrou um Boletim de Ocorrência e procurou a Corregedoria da PM, onde foi ouvido.

No domingo, dois dos policiais que haviam entrado na casa no dia 4 deste mês abordaram o rapaz na avenida Elias Miguel Maluf. Eles estavam em um Corsa e o rapaz em uma bicicleta. Os PMs teriam ameaçado o rapaz de morte caso a queixa de abuso de autoridade não fosse retirada.

O adolescente passou por um exame no Instituto Médico Legal (IML), cujo laudo ainda não foi divulgado. O adolescente não tem ferimentos aparentes, mas afirma ter dores na cabeça e na perna esquerda.

Outro lado

De acordo com o tenente Fabiano Serpa, comandante interino da 3.ª Companhia da PM, os policiais não invadiram a casa localizada na avenida Tiradentes já que havia mandado de busca.

Os autos referentes às queixas apresentadas pelas vítimas no 4.º Batalhão da Polícia Militar serão encaminhados à 3.ª Companhia e, com base nos documentos, o caso deverá ser apurado.

O tenente reforçou que os policiais serão identificados e que a vítima e as testemunhas serão ouvidas. “Vamos instaurar procedimento disciplinar para apurar se o procedimento dos policiais foi correto ou não”, afirma.

Caso sejam constatadas irregularidades, será aplicado o regulamento disciplinar. â€œÉ uma questão de honra para nós identificar os policiais militares que cometem irregularidades. As pessoas têm que procurar quartéis ao sentirem-se com seus direitos cerceados. Contamos com a reclamação da população para que possamos fazer essa depuração interna. É mais um mecanismo para que isso seja feito com bastante rigor”, reforça o comandante.

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