A direção da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) e os vereadores vão discutir com a superintendência da Caixa Econômica Federal (CEF), amanhã, às 16 horas, na Câmara Municipal, a possibilidade de transferência de créditos entre as instituições. A alternativa é uma das que estão sendo sugeridas e teria como principal consequência a eliminação do passivo da companhia municipal.
O déficit operacional da Cohab aumenta R$ 800 mil a cada mês. O presidente da companhia, Constante Mogioni, está preocupado com a delicada situação financeira e o perigo de insolvência. Mogioni tem pressa na definição de uma saída. “Não há nenhuma perspectiva para que as Cohab’s voltem a construir casas. Sem essa missão, a companhia não tem como sobreviverâ€, cita.
A passagem dos créditos habitacionais para a CEF provocaria a extinção das atividades da companhia. A transferência de créditos é possível através da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), um organismo ligado ao Tesouro Nacional que adquire títulos podres.
O perigo de insolvência foi discutido com o Governo Federal na semana passada. Representantes das oito companhias existentes no Estado de São Paulo alertaram para o acúmulo de prejuízos. “Nós enxugamos despesas, reduzimos o quadro de pessoal para 112 funcionários, mas não temos como prosseguir sem construir casas. Hoje este papel é da CEFâ€, diz Mogioni.
O problema financeiro se agrava a cada dia. A receita mensal é de apenas R$ 2,2 milhões, contra R$ 3,4 milhões de boletos de cobrança emitidos aos mutuários. A arrecadação despencou com o último programa do Governo Federal que eliminou o saldo devedor de 23 mil contratos, a metade de todo o volume de negócios da unidade local da Cohab.
A companhia tem que repassar todo mês para a CEF, a título de cobertura dos créditos habitacionais remanescentes, R$ 1,9 milhão. Também figuram nas despesas fixas R$ 420 mil de seguro dos núcleos e R$ 520 mil destinado ao custeio (incluindo folha de pagamento).
A reunião pública para apresentação da situação contábil, operacional e financeira da Cohab foi fruto de uma discussão feita com o vereador João Parreira (PSDB). Ele vem alertando para o risco da manutenção do problema. “O Município de Bauru é que vai arcar com essa dívida, que cresce a cada mês. A Cohab não consegue pagar nem o seguro dos núcleos. Se acontecer um sinistro a situação fica muito delicada. Os mutuários estão descobertos. A insolvência é latenteâ€, expõe.
Mogioni, por sua vez, considera que é necessário apresentar a radiografia das contas da companhia à sociedade. “Eu conversei com o vereador e me coloquei à disposição para a instalação de uma comissão com representação da Câmara, da CEF, da Cohab e de órgãos interessados na formulação de uma política habitacional que recupere a função empreendedora da Cohab, sem a qual não há como continuar operandoâ€, menciona.
Somente neste ano, a dívida vai aumentar R$ 9 milhões. Não há nenhuma perspectiva para que a Cohab obtenha receita extra no período. Apesar de não executar nenhum empreendimento habitacional e de ter terceirizado alguns serviços, a Cohab ainda mantém 115 funcionários.