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Pensando num outro mundo

(*) N. Serra
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Seria valioso que tivesse desenvolvimento imediato a preocupação dos poderes públicos mundiais com o que vem acontecendo no universo, afetando exatamente a dimensão social. E, felizmente, é essa corrida que se está verificando como resultado de conclusões obtidas pelas nações participantes do 2.º Forum Social Mundial, recentemente reunido em Porto Alegre com o propósito de estudar novos caminhos para a sociedade e, bem assim, a economia universal.

O que, fundamentalmente, foi debatido no ressonante conclave? Cinco mil delegados debruçaram-se vários dias, do começo das manhãs ao epílogo das noites, sobre um tema que realmente não poderia ser relegado: a busca de caminhos para a construção de um novo modelo para a sociedade, diga-se mais acertadamente, um outro mundo bem diferente deste, com inteira justiça e total vida para todos. Necessariamente, obedientes ao prisma, os convencionais condenaram em profundidade o que as nações ricas, estribadas em grandes corporações, estão fazendo de mal ou pior a todos os países pobres ou em empobrecimento, escudadas em suas políticas predatórias inteiramente desclassificadas. Conseqüentemente, debates sérios e conclusivos em cima da conjuntura tinham que absorver, e realmente o fizeram, a quase totalidade dos espaços da programação, resultando disso a absoluta certeza de que os seus dirigentes tinham alcançado a felicidade de estabelecer um espaço de discussões inteiramente democrático, como os poucos vividos pelo 1.º Forum e sucedâneos, por isso que bem aproveitados agora por todos os canais argüidos e por quantas organizações que se batem sinceramente pela democratização mundial, levando seus homens ao entendimento, à tolerância e, logicamente, a pacificação que está faltando em quase todos os quadrantes. Espera-se que de novos encontros e debates imanentes não saiam apenas vencedores e vencidos e, sim, conclusões do mais absoluto bom senso, das quais já se têm, como elogiáveis conseqüências, iniciativas inteligentes adotadas em recente assembléia (Gênova-Itália) de personalidades importantes de diversos países europeus, quando os grandes desafios da sociedade de hoje foram equacionados e ouvidos com amplo sentimento democrático. Conclui-se, então, que a idéia da instituição de “um outro mundo” campeia honesta e objetivamente nas férteis cabeças de muita gente idealista, oxalá sem tantos males como os que aí estão, suas, paradoxalmente, com toda uma pletora de paz e amor, que é aquilo que há-de deixar as nações pobres menos pobres e infelizes, pois quando os homens buscam se entender sinceramente chegam ao que empenhadamente desejam. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

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