Economia & Negócios

Fiesp vai discutir campanha contra as altas taxas de juros

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

O Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai se reunir segunda-feira para discutir a viabilização das propostas feitas pelas lideranças da indústria de Bauru, que querem uma campanha para que as instituições financeiras reduzam as taxas de juros cobradas dos consumidores finais, tanto pessoas físicas quanto as jurídicas.

O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, e a diretora do Depecon, Clarice Messer, receberam, nesta semana, material do bauruense Ricardo Marques Coube, vice-presidente estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), para ancorar as discussões.

Coube destaca que a proposta é de grande relevância, quando se leva em consideração que 90% dos associados do Ciesp são micros e pequenas empresas, que empregam 85% do total da força de trabalho. Além disso, representam 30% do produto Interno Bruto Industrial (PIB) industrial.

Os empresários têm a consciência de que a luta em relação às instituições financeira não será fácil, pois é um setor que tem um poderoso “lobby”. Coube diz que os bancos são o setor mais forte em termos de influência política e de “lobby” no País, tanto que se criou um Proer para socorrê-los, enquanto as indústrias fecham e não recebem auxílio.

Por outro lado, a Fiesp tem um grande peso no cenário nacional, com o qual pode buscar um caminho para forçar a queda da taxa de juros. O vice-presidente do Ciesp defende, ainda, que para continuar com alta lucratividade, os bancos precisam ajudar a fortalecer a economia como um todo. “Precisamos de um modelo de gestão bancária-financeira mais globalizado. Os bancos não podem ganhar tanto quanto ganham com tão poucos negócios, como é agora, mas ganhar menos em mais negócios. No mundo inteiro os bancos vivem muito bem emprestando dinheiro a 4%, 5% ou 7% ao ano. Só que emprestam bilhões e isso se transforma no grande negócios deles. Por que aqui tem que ser diferente?”, reclama.

Coube destaca que as altas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras estão “travando” a situação das empresas, que passam por momento difícil. Ele destaca que as grandes empresas que tiverem resultado surpreendente em 2001 não dependem da política interna de crédito e juros, pois captam dinheiro fora e têm acesso a juros vantajosos. “Os mortais, empresas que precisam de uma política de juros mais real, precisam desse trabalho pela redução da taxa de juros”, afirma.

O vice-presidente do Ciesp defende que sejam criadas linhas de crédito com juros mais baixos e com menor burocracia. Para ele, não é possível aceitar uma taxa Selic de 18,5% ao mês, enquanto os bancos trabalham com taxas, no mínimo, duas vezes acima disso. Coube diz que o ideal seria que os bancos trabalhassem com uma margem 20% ou 30% acima da Selic na ponta, ou seja, para o consumidor final. “Para pessoa física é muito pior. Qualquer operação é 7% ou 8% de juros ao mês. Isso é um absurdo”, reclama.

Assim, a intenção dos líderes industriais é que o movimento nascido em Bauru ganhe força na Fiesp como forma de pressionar os bancos a baixarem as taxas de juros praticadas para os clientes finais.

Ricardo Coube questiona o fato do País ter um dos menores níveis de crédito disponíveis do mundo. Para ele, a situação é incompreensível, já que o pouco crédito que existe é caríssimo. Segundo o vice-presidente, a pergunta difícil de se responder é como o Brasil funciona com esse quadro.

Coube vai defender na reunião do Depecon que o trabalho junto às instituições financeiras seja prioridade no sistema Fiesp-Ciesp, uma vez que os associados das duas entidades precisam disso. Pare ele, não adianta ficar insistindo com o assunto da reforma tributária, pois dificilmente vai sair neste governo. Na opinião de Coube, a queda das taxas de juros seria um grande alívio para as pessoas e empresas de forma imediata. “O que dá para aliviar agora e o País poder respirar e caminhar um pouco mais aliviado? É melhorar a condição de crédito a um custo um pouco mais razoável, para que as empresas possam caminhar. Além disso, pode baixar o custo na ponta para o crediário no comércio, entre outras coisas que podem estimular o consumo”, ressalta.

Ricardo Coube afirma que os monetaristas “ilhados” em Brasília (a equipe econômica do governo) não têm a sensibilidade de que a grande economia, formada por 90% da quantidade de empresas do Brasil, “está travada”. Para ele, não se pode ficar tomando como parâmetro de como vai a economia os resultados de empresas como a Ambev e Gerdau, que são multinacionais e vivem outra realidade, pois têm isonomia competitiva com o Primeiro Mundo, pela exportação e pelo acesso a crédito barato.

O vice-presidente do Ciesp diz que as empresas precisam que existam taxas condizentes, para que possam ter uma disponibilidade de crédito para investimento em tecnologia e na produção.

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