Política

Contas mostram realidade artificial

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A direção da Cohab-Bauru apresentou, ontem, na Câmara, dados que tentam demonstrar que ainda haveria condições de eliminação dos débitos. Porém, a contabilidade realizada até 31 de dezembro do ano passado revela que, para isso acontecer, a companhia dependeria do recebimento de 100% das prestações. Ao contrário, a inadimplência chega a 60%, o que amplia os riscos de operação no setor habitacional.

A empresa tem R$ 568 milhões de créditos junto à CEF. Desta cifra, R$ 305 milhões terão que ser pagos pelos mutuários. A grande maioria dos créditos faz parte do volume de inadimplência. Na hipótese remota de todos pagarem seus compromissos, a companhia ainda contabilizaria R$ 245 milhões vindos do Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) e mais R$ 17 milhões de seguro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

As contas, concretamente, não são reais em função dos créditos não recebidos dos mutuários. Contudo, a Cohab terá que, efetivamente, arcar com R$ 552 milhões junto à CEF, independente das cobranças realizadas. Outra preocupação é quanto ao patrimônio informado. Os imóveis estariam avaliados em R$ 18,6 milhões, dos quais R$ 9,7 já hipotecados.

No capítulo dos prejuízos a conta é de R$ 41,8 milhões com inadimplência. Somente no exercício de 2001 a Cohab deixou de arrecadar R$ 16 milhões. A inadimplência atinge a cifra de R$ 890 mil mensais.

Para os mutuários, a transferência dos contratos remanescentes para a CEF não é vista com bons olhos. Um dos principais motivos é que trata-se de um banco e os representantes dos mutuários temem que a necessidade de lucro nas operações ampliem o endividamento.

Da reunião de ontem foi criada uma comissão para discutir o assunto. O grupo terá um representante de cada segmento, sendo da Câmara, Prefeitura, CEF, Associação dos Funcionários, da direção da Cohab e um membro entre a ser indicado entre mutuários. A comissão vai completar a definição dos nomes em reunião marcada para hoje à tarde.

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