O superintendente da Caixa Econômica Federal (CEF) na região, Miguel Sampaio Jr., informou, ontem, que o banco vai executar a Companhia de Habitação Popular (Cohab) pelo não pagamento de créditos de R$ 8 milhões. A afirmação foi feita durante a reunião pública que discutiu o perigo de insolvência da companhia, ontem, na Câmara Municipal.
Durante o encontro, diferentes segmentos locais abordaram os problemas da Cohab-Bauru. Uma comissão vai aprofundar o tema e avaliar qual a solução para a incapacidade da empresa de honrar seus compromissos. O superintendente da CEF disse que a execução só foi suspensa para o encontro de ontem, mas que as ações administrativas serão retomadas nos próximos dias.
Além de não ter recursos para pagar os R$ 8 milhões devidos à CEF, a companhia vem dando calote de R$ 420 mil mensais no seguro dos núcleos habitacionais. A Cohab cobra, todo mês, R$ 3,4 milhões dos mutuários, mas vem conseguindo receber só R$ 2,2 milhões. A receita não cobre todas as despesas. A direção não vem conseguindo arcar com os R$ 1,9 milhão junto à CEF e ainda mantém um custo de R$ 500 mil/mês. “Não temos como deixar de executar a Cohab. Isso será feito nos próximos dias. A CEF é um órgão e tem que cobrar seus devedoresâ€, cita Sampaio.
Decisão dura
Miguel Sampaio Jr. avalia a situação da Cohab como extremamente difícil. “A inadimplência da CEF também já atingiu patamares muito altos. Neste caso não adianta, o remédio não pode ser aspirina. A solução é dura e tem que ser rápida. Não contem com a CEF se a solução for para poupar alguém. É o dinheiro público que está em jogo e não outros interessesâ€, adverte.
O superintendente deixou claro que uma das medidas necessárias é a redução do quadro de pessoal. “Nós cortamos milhares de vagas e sabemos que isso é duro. Mas não há como resolver se a medida não for tomada. Também não terá nenhum sentido sentar para discutir uma saída se não for pelo menos aceita a possibilidade de extinção da Cohabâ€, aponta.
Sampaio não gostou da fórmula de apresentação da contabilidade da Cohab na reunião de ontem. “Não adianta lançar inadimplência para dizer que dá para salvar a dívida, porque são créditos podres. Embora seja contábil é dinheiro que não entra na Cohab e sem dinheiro não há como pagar a conta. A Cohab tem milhões reais em créditos por inadimplência. A CEF cortou muitos empregados e não só alguns. Estamos em um Titanic e não dá para esperarâ€, afirma.
Para o representante da CEF, antes de qualquer medida, a Cohab tem reduzir drasticamente seus custos. “A Cohab não tem receita para suportar suas despesas. É insuportável a inadimplência de 60%. Tem que cortar custos. Se não pagar não tem jeito. Quer discutir vamos discutir. Mas tem que cortar custosâ€, menciona. Sampaio ainda questionou porque a direção da companhia não se habilitou para a transferência de créditos para o Governo Federal. “A Cohab não participou do programaâ€, finaliza.
O presidente da Cohab, Constante Mogioni, ficou visivelmente sem jeito quando foi lhe perguntado sobre as ações tomadas pela companhia do Rio Grande do Sul (RS). Lá, a empresa tinha cerca de 953 funcionários e ficou com aproximadamente 60. Aqui, apesar de ter reduzido o quadro, a Cohab mantém 111 funcionários para administrar uma inadimplência que, só em 2001, atingiu R$ 16 milhões.