O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) vai acionar o Ministério Público (MP) contra a Tec Seg - empresa que há cerca de um mês e meio está prestando serviços de assistência médica, hospitalar e odontológica aos servidores públicos municipais. O motivo é o grande número de reclamações de usuários por insatisfação em relação ao atendimento oferecido.
Para Eliane Koti, diretora do Sinserm, a Tec Seg não está cumprindo os termos do contrato assinado com a Prefeitura Municipal de Bauru. “Encaminharemos as denúncias ao MP porque queremos apurar o que está acontecendo com o contrato. O objetivo é fiscalizar o que está acontecendo e fazer com que o contrato seja cumpridoâ€, expõe.
O plano de saúde, cujo contrato foi firmado em 15 de fevereiro, terá validade de até seis meses, tempo necessário para a Administração Municipal terminar o processo de licitação convencional que escolherá a empresa que prestará o benefício.
Grande parte das reclamações que chegaram ao sindicato refere a demora para marcação de consultas médicas e retornos. Outro motivo de insatisfação é a suposta exigência de guias não apenas para realização de exames, mas também para consultas.
“No contrato, fica claro que o atendimento seria feito sem guia, mas a Tec Seg exige guia. A pessoa fica horas na fila para pegar a guia e muitas vezes acaba perdendo a consultaâ€, afirma Eliane.
Os servidores municipais também queixam-se do atendimento em casos de urgência e emergência, realizado no Hospital de Base. Alguns usuários afirmam que a demora é grande e que após esperar eles são encaminhados para o Pronto-Socorro Municipal Central, onde têm que ser tratados via Sistema Único de Saúde (SUS).
“Não há plantão. Eles esperam quatro, cinco horas e ninguém atende. Depois vem um funcionário e pede para que a pessoa vá ao Pronto-Socorro Municipal Central. No contrato, é previsto pronto-atendimento 24 horas por dia, inclusive em finais de semanaâ€, salienta a diretora do sindicato.
Segundo o Sinserm, os servidores alegam que há poucos médicos para atender à demanda. A assessoria de imprensa da Tec Seg, no entanto, afirma que há cerca de 120 médicos para atender aproximadamente 24 mil usuários.
Eliane enfatiza que chegaram ao sindicato mais de cem reclamações sobre o plano de saúde. “As reclamações são inúmerasâ€, diz. Formalmente, no entanto, foram registradas no Sinserm 15 queixas. â€œÉ porque começamos a recolher as declarações formais há apenas duas semanasâ€, justifica a diretora.
A reportagem do JC não teve acesso aos nomes dos servidores que sentiram-se lesados e levaram suas reclamações ao sindicato. De acordo com o Sinserm, a medida tem como objetivo preservar os funcionários.
Eliane não precisou a data em que serão levadas ao MP as queixas. A decisão foi anunciada aproximadamente às 19h30 de ontem. “Faremos isso o mais rápido possívelâ€, destaca.
Tec Seg
A assessoria de imprensa da Tec Seg disse que as reclamações sobre exigência de guia para realização de consulta não procedem já que o documento não seria necessário para o atendimento médico.
Quanto à demora para agendamento de consultas, a assessoria também afirma que não procede. A empresa garante que o tempo médio de espera por uma consulta é de cinco a sete dias.
Sobre o pronto-atendimento, a empresa alega que ele é realizado por uma prestadora - a Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Visando melhorias no atendimento aos usuários do plano de saúde, a Tec Seg estaria fazendo investimentos no Hospital de Base, que realiza os atendimentos de urgência e emergência para os servidores. A assessoria de imprensa diz que a empresa desconhece tais denúncias. A diretoria da AHB não foi localizada para falar sobre o assunto.
A assessoria acrescenta, ainda, que desde o dia 15 de fevereiro, data que foi assinado o contrato, houve apenas queixas por demora para agendamento de consultas. E frisa que há uma central que funciona 24 horas diárias para receber e solucionar problemas enfrentados por usuários. O telefone é (14) 226-2626.