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"Jacaré" e "Biro-Biro" em Interlagos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Pela sexta vez em oito anos, estudantes da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unesp/Bauru participam da SAE Brasil-Petrobras de Mini Bajas, competição que será encerrada amanhã no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

O evento reúne alunos de engenharia de 50 universidades (dez delas do interior paulista) de 14 Estados, além de contar com representantes dos Estados Unidos e Canadá.

No total, são 81 equipes, cujos integrantes são responsáveis desde o projeto até a construção dos Mini Bajas (veículos off road). Promovida pela Society of Automotive Engineers (SAE), entidade sem fins lucrativos, a competição brasileira é considerada pela indústria o maior laboratório nacional de formação complementar da engenharia automotiva.

Denominados de “Jacaré do Tietê” e “Biro-Biro”, os Mini Bajas bauruenses foram produzidos nas dependências da Unesp obedecendo a um projeto elaborado por 17 alunos e sob a coordenação dos professores Luiz Daré Neto e Reinaldo Sebastião da Silva. Desenvolvidos especialmente para a competição a um custo total estimado em R$ 15 mil, os veículos contam com câmbio manual e motor com potência limitada em apenas dez cavalos, mas que pode levar o carro a alcançar uma velocidade de 48 km/h. Tudo isso para encarar as várias fases da SAE Brasil Mini Baja, que expõe os automóveis em verdadeiros testes de velocidade, segurança e, principalmente, resistência.

As provas ocorrem em quatro dias. No primeiro dia, ocorrido na última quinta-feira, são verificadas as condições de segurança dos Mini Bajas. No segundo, realizado ontem, os veículos têm de passar pelas provas estáticas, onde são avaliados seu conforto, ergonomia e design. Hoje é a vez dos testes dinâmicos, que consistem em aceleração e velocidade máxima, frenagem mínima, subida de rampa, tração e slalom. O encerramento será feito amanhã, data reservada para um enduro com quatro horas de duração.

A SAE estabelece pontos para o projeto e as competições. Cerca de 50% da classificação final é composta pela pontuação obtida no projeto e os outros 50% vêm das competições.

Dificuldades

Mas engana-se quem pensa que construir os Mini Bajas é fácil. Além de muito tempo e esforço físico, exige materiais que não são fabricados em série. O professor Luiz Daré Neto ressalta que as peças, além de caras, encontram-se fora do padrão de mercado. “Chegamos a pagar R$ 25,00 em uma junta esférica, valor que não chegaria a R$ 5,00 se fosse produzida pelas fábricas”, afirma ele.

A dificuldade em encontrar as peças acabou afetando o andamento e a originalidade dos projetos. Por isso, os estudantes acabaram iniciando a montagem dos veículos na época prevista inicialmente para concluí-los. “Começamos a procurar as peças assim que os recursos obtidos junto aos patrocinadores foram disponibilizados, no início de fevereiro. Mas não as encontrávamos no mercado, pois certas empresas haviam parado de fabricá-las. Por isso, nosso projeto neste ano está prejudicado, pois o que foi enviado a SAE é um e o construído é um pouco diferente.

Exemplo dessas dificuldades enfrentadas pelos universitários foram os pneus e as rodas. A equipe precisava de oito pneus, mas acabou conseguindo comprar apenas quatro. Os restantes foram obtidos graças ao auxílio da USP, de São Carlos, que acabou emprestando para os bauruenses. “As rodas também sumiram do Brasil, pois são importadas. Tivemos de mandar construi-las em São Paulo num sistema quebra-galho e vamos correr com elas”, diz Daré.

“Trabalhos forçados”

Correria total. Assim pode ser definida as duas últimas semanas dos estudantes. O atraso no projeto forçou-os a adotarem um esquema de “trabalhos forçados” para concluir a construção dos Mini Bajas. Os alunos ficaram várias noites sem dormir e a alimentação seguia uma “rica dieta” à base de pizza e esfiha.

Mesmo assim, os universitários não reclamam. Para José Alexandre Simi construir um Mini Baja é encarar desafios e superar as adversidades proporcionadas pelo trabalho em grupo. “Apesar disso, é emocionante e todos gostam de automobilismo. Naquelas horas, nem pensávamos muito em comida”, frisa ele. “Ficaremos satisfeitos se conseguirmos terminar a prova de enduro, o que até agora nenhum carro unespiano fez”, completa Simi.

A exemplo de José, João Pedrassoli Neto também participa pela segunda vez dos projetos. Segundo ele, integrar a equipe de desenvolvimento dos “carrinhos” é a oportunidade de conseguir aplicar na prática os conhecimentos aprendidos na teoria da sala de aula. “Virar as noites é prazeroso, pois estamos fazendo o que gostamos”, destaca ele. Para o enduro, a expectativa também é positiva. “Tentaremos ficar, pelo menos, entre os 20 primeiros.”

Recursos e ajudas

Neste ano, pela primeira vez, o projeto dos Mini Bajas teve o apoio de três patrocinadores - Banespa, NSK e White Martins. O professor Luiz Daré destaca que no processo de captação dos recursos o vice-reitor da Unesp, Paulo César Razuk, teve participação decisiva. “Ele interviu junto ao banco e conseguiu um patrocínio que viabilizou quase que por completo a construção dos dois veículos”, frisa Daré. Além da instituição bancária, também colaboraram as empresas NSK, que doou os mancais de rolamentos, e a White Martins, responsável pelo gás para solda.

Outras ajudas decisivas, segundo Daré, foram do chefe de departamento, o professor Marcos Roberto Bórmio; do diretor da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), Lauro Henrique de Melo Chueri; do vice-diretor da FEB, Alcides Padilha; e dos professores Marcos Tadeu Tibúrcio Gonçalves e Célio Losnak. “Sem a ajuda deles e os recursos financeiros seria impossível a construção dos carrinhos.”

A faculdade forneceu o transporte dos dois veículos a São Paulo e os alunos custearam seus próprios deslocamentos e hospedagens. “Mas isso não foi por culpa deles ou da reitoria, pois além de ter de gerenciar o dinheiro e o projeto, perdi o prazo para solicitar à Unesp recursos para essas despesas”, ressalta Daré.

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