Economia & Negócios

Ministério do Trabalho quer a desinterdição da Ajax

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Com o aval do titular da subdelegacia do Ministério do Trabalho (MT) em Bauru, Sérgio Branco, o vereador José Humberto Santana (PV) solicitará à Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que autorize a desinterdição do setor metalúrgico da fábrica de baterias Acumuladores Ajax.

As atividades desse setor - que emprega 120 pessoas - foram interrompidas no final de janeiro, quando a agência local da Cetesb constatou a presença de chumbo no ar, solo e água em análises feitas nas proximidades dessa unidade da empresa, localizada às margens da rodovia Bauru-Jaú.

A decisão foi tomada durante uma reunião realizada ontem, no MT, da qual participaram o subdelegado do Trabalho; o vereador Santana, que é presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal; o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Cândido Augusto Gonçalves Rocha; o diretor do Instituto Ambiental Vidágua, vereador Rodrigo Agostinho; representantes da Secretaria Municipal de Saúde Coletiva e o presidente da Ajax, Nasser Ibrahim Farache.

A Cetesb e a Defesa Civil foram convidadas mas não compareceram à reunião, que foi solicitada pelo sindicato.

De acordo com Sérgio Branco, através dos engenheiros químicos, mecânicos e de segurança da Ajax, a empresa se responsabiliza pela volta das atividades do setor metalúrgico, já que as normas de segurança (28 itens) exigidas pela Cetesb teriam sido cumpridas.

“A empresa assume, perante o Crea e a Justiça, a responsabilidade técnica de que as ações realizadas no setor metalúrgico desde a interdição resolveram os problemas de contaminação do meio ambiente. Para saber se alguns dos 28 itens de segurança estão sendo cumpridos, depende do resultado final da avaliação ambiental. Para isso, é preciso que o setor volte a funcionar”, observa Branco.

Ele acrescenta que a responsabilidade técnica assumida pela empresa não impede que a sociedade, opinião pública, Vigilância Sanitária, Câmara Municipal e o próprio MT continuem monitorando e avaliando o exercício das atividades da metalurgia da Ajax.

“Risco controlado”

Branco destaca que o setor industrial da Ajax estaria funcionando totalmente de acordo com as exigências biológicas/ambientais e com 100% de controle dos riscos de uma possível contaminação ambiental.

“Desde 1990 não foi registrado nenhum caso de saturnismo (doença crônica do sistema neurológico causada pela ação do chumbo no organismo humano) ou de exposição ao chumbo, entre os funcionários da empresa, que justificasse a abertura de uma comunicação de acidente de trabalho”, afirma Branco.

De acordo com o vereador Santana, a Comissão de Saúde da Câmara irá, na próxima semana, convidar todos os órgãos envolvidos na questão - com destaque à Cetesb e Defesa Civil - para participarem de uma nova audiência pública.

“O sindicato, o Ministério do Trabalho, o Vidágua e a diretoria da Ajax já confirmaram presença. É muito importante que a Cetesb e a Defesa Civil participem dessa audiência para que todos os pontos fiquem esclarecidos, inclusive o nosso desejo de que o setor metalúrgico volte a funcionar”, frisa Santana.

Sérgio Branco acrescenta que fazer a audiência seria uma forma de garantir à empresa o “direito do contraditório”, premissa máxima da Justiça. “Nada melhor que uma audiência pública para garantir esse direito e promover um debate para conseguir chegar à verdade total, ou pelo menos próximo dela”, diz.

Retificação

Ao contrário do que foi publicado em matéria veiculada na edição de ontem do Jornal da Cidade, na página 10, a fábrica de baterias da Acumuladores Ajax não está interditada. No final de janeiro deste ano, apenas as atividades do setor metalúrgico da empresa - localizado às margens da rodovia Bauru/Jaú - foram suspensas. O motivo foi a constatação da presença de chumbo no ar, solo e água em análises feitas nas proximidades dessa unidade da empresa.

Comentários

Comentários