A aproximação das eleições de outubro começa a atrair o interesse dos jovens pela política. A cinco meses do pleito, a movimentação no segmento já é visível através das articulações de grêmios estudantis, entidades representativas e até mesmo nos meios religiosos leigos, onde o assunto, até há pouco tempo, era considerado tabu. Embora o interesse venha misturado com um pouco de discernia – provocado pelo comportamento anti-ético da maioria dos políticos -, os jovens acreditam que só a intervenção através do voto consciente e de qualidade poderá reverter a situação de penúria em que se encontra a classe política.
Quem pensa que religião e política são ingredientes de fé que não se misturam, está enganado. A busca de uma sociedade mais justa, com menos diferenças sociais e melhor distribuição de renda compõe a pregação da Igreja Católica. E os jovens católicos enxergam que esse objetivo só será atingido com a intervenção direta no processo. Hoje, por exemplo, um grupo de 60 lideranças que integra as pastorais da Diocese de Bauru está reunido na Universidade do Sagrado Coração (USC) para debater a conjuntura política municipal, estadual e federal.
Eles participam da Semana da Cidadania, que se estende até o próximo domingo, cujo tema “Animemos a esperança, construamos a paz†é propício para o momento. O coordenador da Pastoral da Juventude da Diocese de Bauru, Vanderson Aparecido da Silva, 18 anos, diz que o objetivo do encontro é resgatar no jovem a sua consciência política. “Nós precisamos fazer uma projeção de ação em cima do Poder Público administrativo. A partir daí, será possível julgar bem ou mal e fazer alguma coisa para melhorar a questão da cidadania na cidade.â€
Na avaliação dele, é possível igreja e política caminharem juntos para alcançar objetivos comuns. â€œÉ preciso lembrar que Jesus Cristo foi uma pessoa política. Ele lutou pela vida e pelo bem-estar de seu povo. E é assim que nós estamos fazendo. Nossa luta é apartidária. Ela almeja o bem-estar social.†O coordenador diz que, infelizmente, parte dos jovens ainda não consegue separar a política da politicagem. “Não são a mesma coisa. Parte da juventude ainda enxerga essa discussão dessa forma porque ainda falta interesse de se aprofundar no assunto.â€
A opinião de Silva também é compartilhada por Lucas Daniel Bessi, 19 anos. “Independente do partido que o político pertença, estaremos com ele pelo conjunto de sua atuação. Se ele visa o bem da sociedade e trabalha para melhorar seu dia-a-dia, vamos apoiá-lo.†Bessi afirma que chegou a hora da juventude enxergar que é possível reverter o quadro de corrupção e desmando que tomou conta de uma parte da classe política. “Isso é possível ser revertido. O que não pode é só ficar olhando e não se fazer nada. É preciso atuar para melhorar.â€
A influência da mídia ao generalizar que a corrupção é um comportamento presente na classe política como um todo também é apontada pelos jovens como um fator que ajuda negativamente no resgate da cidadania. O estudante Adriano Lúcio de Oliveira, 18 anos, defende que a juventude precisa sofrer um choque de consciência para se interessar mais por política. “Não é por causa de um, dois ou mais políticos corruptos e anti-éticos que vamos desanimar na construção de um País melhor.â€