O vice-diretor de pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI), David Robinson, disse que se o governo brasileiro quiser afastar o fantasma da crise de pagamentos deve aumentar as exportações ou elevar ainda mais o esforço fiscal. Essa é a clássica e óbvia recomendação para países emergentes como o Brasil. Historicamente, esses países não conseguiram e não conseguem manter-se estáveis em suas contas externas e internas.
Sofrem com a ausência de poupança interna e com a necessidade em atrair capital estrangeiro. Tornam-se vulneráveis e presas fáceis dadas às crises internacionais.
O técnico do FMI indica dois caminhos. O primeiro refere-se à ampliação do comércio internacional. É evidente que todos somos sabedores que é esse o caminho no sentido de trazer ao País recursos com “lastro†em produtos. Se quiser oxigenar o País com recursos o caminho é o aumento das exportações e melhoria na balança de transações correntes.
Acontece que o mercado internacional está retraído. Existe ainda um excesso de protecionismo (vide o aço nos EUA, agricultura na Europa). Além desses aspectos externos, temos ainda um longo caminho interno no sentido de tornar o País mais competitivo (com menores custos internos) e ainda possuir uma política de substituição de importação somada à mudança da pauta de exportação (inserção no mercado de produtos que possuem alta tecnologia).
Sobra então o forte ajuste fiscal. Como fazer isso se o governo, em todas as esferas, já subtrai 1/3 do PIB brasileiro? E o que é pior, não devolve em qualidade de gastos! Sacrificar ainda mais a população com políticas restritivas? É isso que o ajuste fiscal provoca.
Os dois caminhos apontados são complicados. Na prática, o FMI deveria ficar mais atento aos indicadores sociais, utilizando-se dos indicadores econômicos para melhoria da condição de vida da população.
Exigir remessas volumosas de recursos para “honrar†compromissos financeiros com o Exterior, monitorar uma política monetária extremamente conservadora e indicar ajuste fiscal penalizador, é manter o país empobrecido, aumentando a fila dos miseráveis. A clássica receita do FMI precisa ser rapidamente repensada e o excesso de protecionismo dos países desenvolvidos revisto urgentemente. Não há mais como exigir sacrifícios da população. (Reinaldo Cafeo é economista)