A Câmara Municipal de Bauru convocou para a próxima sexta-feira audiência pública para discutir e avaliar a situação da empresa Ajax, cujo setor metalúrgico foi interditado, após denúncia de que seus trabalhadores e moradores da redondeza da fábrica foram contaminados por chumbo.
Ontem, funcionários da empresa e seus familiares realizaram ato de protesto em frente ao Poder Legislativo. Segundo o vereador José Humberto Santana (PV), além da direção da Ajax, deverão ser convocados para a reunião os secretários municipais de Meio Ambiente, Luiz Pires, de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, e de Saúde, Sônia Fiocchi.
Os representantes da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), sediados no escritório regional de Bauru, também serão convidados a participar da audiência.
A preocupação dos vereadores distribui-se em dois pontos: o risco de a empresa fechar e demitir cerca de 1,1 mil trabalhadores, e a contaminação pelo metal, que pode levar à morte. A situação provocou críticas na sessão legislativa de ontem.
O vereador Paulo Madureira (PPB) cobrou posicionamento do secretário de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, e do prefeito Nilson Costa (PPS). “O prefeito precisa se manifestar e o secretário também. Até agora não ouvi eles comentarem nada sobre o assunto.â€
Já Renato Purini (PV) concorda que é preciso seguir as regras para controlar a emissão de poluentes, mas alerta sobre o risco de demissão em massa que a situação poderá provocar. “Precisamos, primeiro, garantir os empregos. Não podemos nos dar ao luxo de perdermos 1,1 mil postos de trabalho. É preciso dar um tempo para a empresa se adaptar às exigências.â€
O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), um dos autores da denúncia, ressalta que a empresa opera em Bauru desde 1958 sem nunca ter tirado uma licença ambiental. “A Cetesb, antes de multar a empresa, aplicou 17 penalidades de advertência e fez 28 exigências para que a companhia voltasse a funcionar.â€