O País vive um momento delicado, com altos índices de violência, desigualdades, incompetência, corrupção e desemprego. Segundo as versões oficiais, tudo é decorrente de várias crises internacionais, que mostraram a fragilidade da estrutura social e financeira do Brasil. Outras versões apontam para a nossa submissão ao processo de globalização neoliberal que aprofundou as desigualdades com tendência para um aumento das exclusões. Embora seja uma das principais economias do mundo, todos, sem exceção, concordam que a distribuição de renda é injusta e que uma grande parte da população vive abaixo do nível da miséria.
Diagnosticada a situação, variam os palpites e as soluções. O pessimismo e as articulações políticas produzem um ciclo de desespero, criando um estímulo para atitudes negativas, gerando agressões e destemperos. A verdade é que precisamos analisar os fatos serenamente e manter o maior equilíbrio emocional possível. Estamos a seis meses das eleições que serão de particular importância para o destino do Brasil e de seus 180 milhões de habitantes, dentre os quais, vergonha nacional, 50 milhões de indigentes.
A situação não é nova, mas foi sensivelmente agravada nas últimas duas décadas, notadamente depois da imposição, aos países emergentes, das políticas neoliberais e da globalização excludente. Tivemos a oportunidade de ler, há alguns dias, um documento recentemente lançado pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, denominado “Eleições 2002 – Propostas para Reflexãoâ€, que objetiva despertar a consciência de todos os cidadãos brasileiros sobre o importante momento que todos viveremos em outubro e num futuro não tão distante.
O documento alerta para o exercício do voto consciente e responsável e para que os eleitores assumam o protagonismo na construção de uma sociedade democrática, pluralista e participativa. Não há dúvida de que são necessárias mudanças urgentes. Para isso é importante que o brasileiro vote conscientemente, analisando o currículo dos candidatos, fazendo uma reflexão sobre a sua vida pregressa, se tiveram ou não sucesso em suas carreiras profissionais, em seus empreendimentos e não somente sejam empolgados com discursos vazios, tapinha nas costas, adesivos, brindes, out-doors, santinhos (às vezes, como seus protagonistas de pau-oco mesmo!) e uma enormidade de “presentinhos†de véspera de eleição.
Eleitos, esses candidatos, verdadeiras saladas-mistas (apóiam um, fotografam com outro, aparecem na telinha da TV como papagaios de pirata, são amigos íntimos de todos, e ainda há os que adoram ser “exclusivosâ€, bradam por candidatura única, mas não se lembram de trabalhar por seus eleitores ou não têm competência para isso) após o pleito.
Infelizmente temos votado mal e o povo vem pagando caro por esse erro. O País sofre de uma das mais perversas distribuições de renda do Planeta. Segundo fontes oficiais, há pelo menos 50 milhões de pobres, dentre os quais 25 milhões são jovens de oito a 15 anos de idade.
É momento de análise e reflexão. A escolha do seu candidato deve ser feita a partir do seu currículo, do seu programa, do seu respeito ao pluralismo cultural e religioso, da sua competência na vida empresarial, da sua vontade indisfarçável de servir ao bem comum, do seu comportamento ético. Lembro-me bem que, no início eufórico da “globalização†fui chamado de retrógrado por companheiros de um clube a que pertencia por alertá-los sobre os perigos e o colonialismo da globalização sem limites e sem proteções que nada mais era se não o imperialismo capitalista disfarçado com um nome a representar o progresso.
Sem falar em outras tantas previsões corretas que fiz ao longo de minha vida, espero que acreditem, pelo menos, que seremos amanhã a Venezuela e a Argentina de hoje, caso não corrigirmos a rota deste grande transatlântico chamado Brasil que navega em perigosas águas sob o comando de uma tripulação de teóricos que, na melhor das hipóteses, não têm a menor experiência e capacidade para a função.
(*) O autor, Roberto Paulino, é empresário, administrador de empresas, advogado, produtor rural e presidente do Movimento “Reage, Brasilâ€