No início da tarde de ontem, cerca de 1.000 pessoas fizeram um protesto em frente à Câmara Municipal, pedindo o retorno das atividades do setor metalúrgico da fábrica de baterias Acumuladores Ajax.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, do total de manifestantes cerca de 600 eram funcionários da empresa e, o restante, familiares e trabalhadores apoiadores da causa.
O presidente do sindicato, Cândido Augusto Gonçalves Rocha, diz que o objetivo principal da manifestação foi pressionar os vereadores para que apóiem os pedidos de retorno das atividades metalúrgicas da Ajax - que estão paralisadas desde o final de janeiro.
“A direção da empresa já disse que todas as providências técnicas exigidas para que não ocorra mais vazamento de chumbo foram tomadas. Para provar isso, é preciso que o setor volte a funcionar, para que as devidas análises e testes sejam feitosâ€, ressalta Rocha.
De acordo com ele e com Paulo Vieira Lima - coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), à qual o sindicato é filiado -, os cerca de 120 funcionários do setor metalúrgico da empresa estão em situação difícil e preocupados com a manutenção do emprego.
“Alguns funcionários do setor foram transferidos para a fábrica. Mas a maior parte deles está em férias coletivas e essa demora para resolver a situação está apavorando esses trabalhadoresâ€, observa Vieira.
O protesto de ontem também teve o propósito de reivindicar que a audiência pública entre a Ajax e os órgãos competentes para tratar a questão da desinterdição do setor metalúrgico - que está sendo solicitada pelo vereador e presidente da Comissão de Saúde da Câmara, José Humberto Santana (PV) - seja realizada o mais rápido possível.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, ontem o presidente da Câmara, Walter Costa (PPS), teria dito que pleiteará a realização da audiência para até sexta-feira desta semana.
Carta
Durante a manifestação, cerca de 30 funcionários da Ajax tiveram acesso ao plenário da Câmara para entregar uma carta direcionada a todos os vereadores, assinada pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.
O texto fala da preocupação dos trabalhadores com a manutenção do emprego e a saúde da população. O vereador e diretor do Instituto Ambiental Vidágua, Rodrigo Agostinho, é criticado na carta. O instituto moveu ação civil pública contra a empresa, que acabou tendo o setor metalúrgico interditado. (leia sobre o discurso do vereador na pág. 3)
No final da carta consta o pedido, por parte dos funcionários, para que os vereadores “tomem as medidas necessárias, mas visando ao bem estar de toda a população, e não o interesse de alguns indivíduos ... que estão causando prejuízos não só econômicos para a empresa, mas sim, para todos os funcionários, esposas, maridos e filhos...â€.
Organização
O protesto durou cerca de duas horas. Às 13 horas, os manifestantes se reuniram na praça Rui Barbosa, de onde saíram rumo à Câmara. Na escadaria do prédio, dirigentes do sindicato fizeram reivindicações através de um carro de som, apoiados veementemente pelas 1.000 pessoas que lotavam a pista da avenida Rodrigues Alves, sentido bairro-centro.
Eles ressaltaram a tradição da empresa, que atua em Bauru há 45 anos, e os danos psicológicos que estariam sendo causados aos cerca de 1.100 funcionários da empresa, mais especificamente aos 120 do setor metalúrgico. Às 15h15, a multidão se dispersou organizada e rapidamente.
O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, diz que não houve nenhum incidente durante o protesto, que foi marcado pela organização dos manifestantes.
De acordo com ele, a Polícia foi avisada sobre a manifestação a tempo de organizar o trânsito no local. Somente a pista sentido bairro-centro da quadra 3 da avenida Rodrigues Alves (em frente à Câmara) foi interditada durante as duas horas de protesto. Portanto, não foi necessário desviar o trânsito.