Polícia

Presos se rebelam; polícia não cede

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Presos da Cadeia Pública de Bauru rebelaram-se, ontem, numa tentativa de tirar o delegado Roberval Fabbro do cargo de diretor da unidade. Eles usaram a doença de um preso como alegação para queimar colchões e chamar a atenção das autoridades. A reivindicação não foi atendida e o diretor será mantido no cargo. Os detentos não aceitariam a suspensão das visitas impostas aos ocupantes de duas celas, após tentativa de fuga.

A rebelião dos presos começou por volta das 11 horas. Um número não exato de presos - estima-se entre 90 e 100 - recusou-se a retornar para as celas. Eles passaram a queimar colchões e pediram a presença do juiz corregedor, Evandro Kato, pois eles tinham reivindicações a fazer.

O contato com o juiz não foi possível, mas o promotor Luiz Carlos Gonçalves Filho, das Execuções Criminais, compareceu à cadeia para ouvir os presos. Eles aproveitaram a oportunidade para fazer várias reivindicações, inclusive a substituição do diretor da cadeia, além de pedir atendimento ao preso doente.

O delegado Roberval Fabbro conta que percebeu, há vários dias, sinais de que os presos estavam organizando-se para uma rebelião. “Eles não aceitam as medidas disciplinares que foram adotadas. Tivemos duas tentativas de fuga e os presos das celas 13 e 5 foram punidos administrativamente. Restringimos o direito de visitas deles”, explica.

O artifício usado ontem pelos presos, segundo o diretor, foi a doença de um deles. “Um preso passou mal e foi levado ao médico na tarde de segunda-feira. O médico fez o encaminhamento e ontem ele foi conduzido ao Pronto-Socorro Municipal. Quando retornou, disse que havia sido ameaçado ou maltratado”, conta o delegado.

O preso doente teria deitado no pátio em forma de protesto, momento que iniciou a rebelião. “Agimos rapidamente. Cerca de 40 presos que não estavam no pátio foram retirados e os rebelados ficaram isolados. Acionamos o reforço da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e da Polícia Militar, que cercaram a cadeia. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas”, detalha Fabbro. As negociações, segundo ele, terminaram por volta das 13 horas, depois que o promotor esteve no local. Os presos foram colocados nas celas e a situação se normalizou.

Reivindicações

• Remoção do diretor

• Mais meia hora no horário de visitas - pedido que será atendido

• Permissão da entrada de crianças que estão sendo amamentadas - pedido que será atendido

Seccional não cede

O diretor da Cadeia Pública de Bauru, delegado Roberval Fabbro, não será retirado da administração, garantiu ontem o delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca. “Em nenhum momento passou pela nossa cabeça mudar o diretor. Ele conta com a nossa inteira confiança”, afirma Ciocca.

Ela ressalta que não são os presos que têm que escolher o diretor. “Os presos querem desorganização e nós queremos o oposto. Eles não têm que escolher o diretor. A escolha é nossa”, diz. Ciocca acredita que a revolta dos presos é porque o diretor organizou e impôs normas. “Para administrar a cadeia é preciso regras e os presos não querem aceitar. Ele aplicou sanções nos presos que tentaram fugir.”

Superlotação

Com capacidade para 72 presos, a Cadeia Pública de Bauru abrigava 177 ontem. “Vamos tentar a remoção dos três líderes do movimento e mais alguns para poder controlar a situação”, anuncia o delegado Roberval Fabbro, diretor da cadeia.

A solução definitiva, segundo ele, só será alcançada com a inauguração do Centro de Detenção Provisória (CDP), cujo início das obras está previsto para o próximo mês. “Enquanto as obras estiverem sendo executadas teremos que administrar a situação para não termos este tipo de problema”, ressalta o delegado.

Na administração de Fabbro, esta foi a primeira rebelião na cadeia. “Estou como diretor desde 19 de novembro. Neste período houve três tentativas de fugas frustradas”, frisa. No final da tarde de ontem, oito presos foram removidos para o sistema penitenciário, provisoriamente. Outros, deverão ser removidos, nos próximos dias.

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