Presos da Cadeia Pública de Bauru rebelaram-se, ontem, numa tentativa de tirar o delegado Roberval Fabbro do cargo de diretor da unidade. Eles usaram a doença de um preso como alegação para queimar colchões e chamar a atenção das autoridades. A reivindicação não foi atendida e o diretor será mantido no cargo. Os detentos não aceitariam a suspensão das visitas impostas aos ocupantes de duas celas, após tentativa de fuga.
A rebelião dos presos começou por volta das 11 horas. Um número não exato de presos - estima-se entre 90 e 100 - recusou-se a retornar para as celas. Eles passaram a queimar colchões e pediram a presença do juiz corregedor, Evandro Kato, pois eles tinham reivindicações a fazer.
O contato com o juiz não foi possível, mas o promotor Luiz Carlos Gonçalves Filho, das Execuções Criminais, compareceu à cadeia para ouvir os presos. Eles aproveitaram a oportunidade para fazer várias reivindicações, inclusive a substituição do diretor da cadeia, além de pedir atendimento ao preso doente.
O delegado Roberval Fabbro conta que percebeu, há vários dias, sinais de que os presos estavam organizando-se para uma rebelião. “Eles não aceitam as medidas disciplinares que foram adotadas. Tivemos duas tentativas de fuga e os presos das celas 13 e 5 foram punidos administrativamente. Restringimos o direito de visitas delesâ€, explica.
O artifício usado ontem pelos presos, segundo o diretor, foi a doença de um deles. “Um preso passou mal e foi levado ao médico na tarde de segunda-feira. O médico fez o encaminhamento e ontem ele foi conduzido ao Pronto-Socorro Municipal. Quando retornou, disse que havia sido ameaçado ou maltratadoâ€, conta o delegado.
O preso doente teria deitado no pátio em forma de protesto, momento que iniciou a rebelião. “Agimos rapidamente. Cerca de 40 presos que não estavam no pátio foram retirados e os rebelados ficaram isolados. Acionamos o reforço da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e da Polícia Militar, que cercaram a cadeia. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamasâ€, detalha Fabbro. As negociações, segundo ele, terminaram por volta das 13 horas, depois que o promotor esteve no local. Os presos foram colocados nas celas e a situação se normalizou.
Reivindicações
• Remoção do diretor
• Mais meia hora no horário de visitas - pedido que será atendido
• Permissão da entrada de crianças que estão sendo amamentadas - pedido que será atendido
Seccional não cede
O diretor da Cadeia Pública de Bauru, delegado Roberval Fabbro, não será retirado da administração, garantiu ontem o delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca. “Em nenhum momento passou pela nossa cabeça mudar o diretor. Ele conta com a nossa inteira confiançaâ€, afirma Ciocca.
Ela ressalta que não são os presos que têm que escolher o diretor. “Os presos querem desorganização e nós queremos o oposto. Eles não têm que escolher o diretor. A escolha é nossaâ€, diz. Ciocca acredita que a revolta dos presos é porque o diretor organizou e impôs normas. “Para administrar a cadeia é preciso regras e os presos não querem aceitar. Ele aplicou sanções nos presos que tentaram fugir.â€
Superlotação
Com capacidade para 72 presos, a Cadeia Pública de Bauru abrigava 177 ontem. “Vamos tentar a remoção dos três líderes do movimento e mais alguns para poder controlar a situaçãoâ€, anuncia o delegado Roberval Fabbro, diretor da cadeia.
A solução definitiva, segundo ele, só será alcançada com a inauguração do Centro de Detenção Provisória (CDP), cujo início das obras está previsto para o próximo mês. “Enquanto as obras estiverem sendo executadas teremos que administrar a situação para não termos este tipo de problemaâ€, ressalta o delegado.
Na administração de Fabbro, esta foi a primeira rebelião na cadeia. “Estou como diretor desde 19 de novembro. Neste período houve três tentativas de fugas frustradasâ€, frisa. No final da tarde de ontem, oito presos foram removidos para o sistema penitenciário, provisoriamente. Outros, deverão ser removidos, nos próximos dias.