O resultado do concurso para a contratação de auxiliar voluntário da Polícia Militar (PM), divulgado ontem, gerou confusão e um princípio de tumulto no Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), ontem de manhã. Muitos candidatos que acreditavam ter ido bem na prova foram reprovados e não se conformaram com a classificação.
O estudante Marcelo de Assis Miassaca, por exemplo, que se candidatou a um cargo de auxiliar de informática, diz que errou apenas três questões do exame, de um total de 40, e mesmo assim não conseguiu se classificar. “Alguma coisa não está batendo. Eu acertei quase toda a prova e tinha certeza de que seria chamado. Mas, na hora de verificar o resultado, vi que meu nome não estava láâ€, explica.
Ontem os candidatos deveriam apresentar o atestado de saúde para realizar os testes físicos da prova. Mas, quando viram a lista de aprovados no CPI-4 muitos ficaram revoltados. “Teve um grupo que veio de Lins para trazer o atestado e, quando chegou a Bauru, eles ficaram muito nervosos com o resultadoâ€, relata a desempregada G.C.K., que preferiu não ter o nome divulgado.
Ela conta que acertou 28 questões e que também não foi classificada. “Eu estava toda animada, pois tinha certeza que havia passado. Quando cheguei lá para levar o atestado, tive a maior decepçãoâ€.
Os candidatos reclamam que ficaram sabendo que muitas pessoas que fizeram menos pontos que eles na prova conseguiram a vaga. “Eu acertei 32 questões e não passei. Lá mesmo no CPI-4 eu ouvi conversa de pessoas que tinham acertado só 14 perguntas e, mesmo assim, tinham sido convocadas. Acho que houve alguma fraudeâ€, destaca o candidato Elizeu Valentin Casselati Júnior.
Miassaca concorda com ele e diz que tem algo que não ficou bem explicado no concurso. Outra reclamação dos candidatos foi com relação à falta de informações por parte da PM. Indignados, eles tentaram saber porque estava ocorrendo essa disparidade na classificação mas, de acordo com seus relatos, ninguém sanou as dúvidas. “Eu fiquei o dia todo no quartel e não consegui saber o que aconteceuâ€, ressalta Miassaca.
Já G.C.K. destaca que, com certa dificuldade, conseguiu um telefone da PM de São Paulo para obter mais informações. “Ninguém sabia dizer nada sobre a prova e, depois de muito insistir, consegui um número de telefone da Polícia em São Paulo. Disseram que lá eles poderiam fornecer mais informações mas, quando eu liguei, desligaram o telefone na minha caraâ€.
Miassaca diz que também tentou ligar, mas não foi atendido. Revoltado, ele acredita que o concurso deveria ser anulado, já que houve muita confusão nos resultados.
Nota de corte
De acordo com o tenente Willian Carlos Padovini, oficial alistador da PM de Bauru, a explicação para esse desencontro de resultados é que houve nota de corte, ou seja, dependendo da área escolhida para trabalhar, o candidato precisaria acertar mais ou menos questões. “Na ficha de inscrição, o candidato deveria colocar qual o cargo pretendido. Uns tiveram mais concorrência que outros, por isso ocorreu essa diferença nas notasâ€, diz.
Como exemplo, ele cita o cargo de auxiliar de informática, que teve apenas 25 vagas para todo o Estado. Como era muito concorrido, já que uma boa parte dos candidatos o escolheu como opção de área, a nota de corte foi de 96, ou seja, era necessário acertar mais de 96% da prova para passar.
Questionado sobre o porquê da PM não ter disponibilizado a nota do candidato aprovado, Padovini diz que isso ocorreu devido à falta de tempo. “A prova foi feita dia 7 deste mês por 40 mil pessoas. Para divulgar o resultado agora, não foi possível enviar todo o banco de dadosâ€, salienta.
Os candidatos não podem pedir revisão da prova, já que o próprio edital veta esse procedimento. O tenente Padovini explica que daqui a uma semana o quartel da PM deverá receber a nota dos candidatos. “Quem se interessar em saber, poderá procurar o CPI-4 e requisitar o resultado da sua provaâ€, frisa.
O método de nota de corte também foi questionado pelos participantes do concurso. A desempregada G.C.K., por exemplo, diz que nem sabia que teria de optar por um cargo específico na ficha de inscrição. Ela conta que chegou a perguntar, no momento de entregar a ficha com seus dados, se teria de preencher o cargo. “Me disseram que aquilo só deveria ser preenchido se eu já tivesse experiência em algum daqueles cargos. Como eu não tinha, entreguei em branco e ninguém falou nadaâ€, ressalta.
Elizeu Casselati Júnior também não sabia que deveria preencher o campo com a área pretendida. “Eu não marquei nenhuma opção pois pensei que o concurso seria generalizadoâ€, explica.
Em Bauru, foram convocados para fazer os testes físicos a partir de hoje, no estádio do Noroeste, 111 mulheres e 1.042 homens. Os selecionados deverão começar a trabalhar em maio.
Os aprovados terão de cumprir uma jornada de 40 horas semanais, recebendo R$ 360,00 mensais, mais benefícios. O contrato será de um ano, podendo ser prorrogado por mais um. Na área do CPI-4 há 360 vagas, sendo 340 para homens e 20 para mulheres. O total de vagas no Estado de São Paulo é de seis mil.