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Conflitos afligem a Veneza americana

(*) B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

Em 1499, portanto, um ano antes do descobrimento do Brasil, o navegante Alonso de Ojeda, que, tal como Cristóvão Colombo, errava com suas tripulações em perigosas aventuras por mares nunca dantes navegados, aportou com suas caravelas nas proximidades do lago Maracaibo. Ao avistar as casas sobre palafitas dos índios caraíba e aranaque, lembrou-se de Veneza, na Itália, e chamou o lugar no diminutivo, isto é, Pequena Veneza ou Venezuela.

Assim começou a história desse país do Norte da América do Sul que, entre tantos outros tem a particularidade de estar situado sobre um inesgotável lago de petróleo, uma jazida imensa que o faz ser considerado o segundo maior produtor do mundo, inclusive integrando a Opep - Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Essa posição invejável já provocou, ao longo da história, medidas estranhas, curiosas e demagógicas. Ao assumir a presidência, pela primeira vez após as eleições de 1973, Carlos Andrés Perez (depois, cassado por corrupção em seu segundo mandato) prometeu ajudar os países pobres vendendo petróleo pela metade do preço. Como fator positivo, foi Andrés Perez quem, ao assumir na década de 70, apontou a porta da rua para as empresas multinacionais que até então dominavam todo o setor petrolífero do país.

Na semana passada, ao assumir o posto de presidente, o empresário golpista Pedro Carmona adotou, como primeira medida, o corte imediato da ajuda de petróleo que Hugo Chávez enviava a Cuba.

Reavendo sua cadeira, no início desta semana, Hugo restabeleceu a colaboração ao seu amigo Fidel Castro.

No passado, assim como ocorre muito nos dias de hoje, o país sentiu os efeitos da exploração externa. A Venezuela estava ainda nascendo, como o Brasil, quando o rei Carlos, da Espanha, concedeu ao grupo de bancos alemão Weisers o direito de explorar e colonizar o país. Mas o contrato foi rescindido em 1546.

Quanto ao que se passa atualmente no país, embora Hugo Chávez tenha origem golpista, nos quartéis, está no poder graças à vontade dos venezuelanos, manifestada nas urnas. Desta maneira, não há como retirar à força aquele que o povo escolheu de acordo com a sua preferência. Novas eleições virão. Aí, então, será a hora e a vez da mudança...

Rei I - Roberto Carlos não tem muita sorte com a imprensa. Passou a vida brigando com jornalistas por causa do famoso acidente. Agora, uma reportagem de TV muito se esforçou para sensibilizar o público com discos e fotos do rei encontrados nas ruas do Rio. A matéria apela demais quando Roberto até parece figura histórica há muito tempo desaparecida. Mas o pior, que não se conseguiu contornar, é a constatação: estão jogando seus discos e suas fotos no lixo...

Rei II - Quando o assunto é filha fora do casamento, Pelé só perde pontos na tabela. A última que apareceu serviu para o grande atleta deixar transparecer atitudes e conceitos que nada o engrandecem. Como é de costume, os jornalistas não conseguiram colocá-los lado a lado na matéria. Quando a moça o contatou, a primeira vez, mandou falar com dona Celeste, como se esse tipo de assunto pudesse ser delegado, mesmo que para a mãe. Aproveita a história da segunda filha, a quem acolheu, para jogar farpas na primeira, a rejeitada... Viixe! (O autor, B. Requena, é editor de Internacional do JC)

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