Tribuna do Leitor

A RENÚNCIA

Everton Oliv
| Tempo de leitura: 2 min

A renúncia é um ato unilateral de alguém que abdica do exercício de um direito. Nem sempre espelha covardia ou incompetência. Muitas vezes é um ato de grande coragem e que após muita ponderação chega-se à conclusão que o caminho mais coerente é afastar-se espontaneamente de algum cargo ou qualquer bem.

Ao longo do tempo temos acompanhado diversas renúncias no campo da administração pública. Foram presidentes da República, governadores, ministros e secretários de Estado, prefeitos, vereadores etc., casos recentes de renúncia à Presidência da República ocorreram na Argentina.

Em nosso país lembramos da renúncia do ex-presidente Jânio Quadros, homem a quem tive a honra e o privilégio de privar de sua amizade a partir de 1982, quando este não detinha mandato eletivo. Jânio renunciou ao mais importante cargo de nosso país, a Presidência da República, frustrando a grande maioria de brasileiros que sufragou seu nome nas eleições diretas de 1961. Acredito que o mandatário de um cargo público deve ser eleito de forma democrática, cumprir programa e compromissos assumidos com os eleitores durante a campanha e ter sensibilidade suficiente para avaliar se tem respaldo da sociedade durante todo seu mandato.

Em Bauru temos exemplo de alguém que tenta manter-se no poder a qualquer custo. Após quase quatro anos comandando a administração municipal comprovou-se a absoluta incompetência e inoperância administrativa, não conseguindo entregar nenhuma obra em andamento ou iniciada em administrações anteriores. Durante a campanha para a reeleição foram divulgadas 37 obras que estariam em execução (vide jornalzinho de campanha), onde estão elas?

O que os veículos de comunicação têm noticiado com muita frequência, são escândalos em diversos setores da administração, denúncias da Promotoria Pública e Câmara de Vereadores de execução de obras sem licitação, principalmente no DAE e Cohab. Caso Marmitex, caso Patinho, renúncia de receita no DAE... E agora anuncia-se uma grande reforma administrativa: trocou-se “seis” por “meia dúzia”. Substituiu-se o secretário de Obras de “direito” pelo que sempre foi de “fato”.

Alguns vereadores idealizaram o “pacto por Bauru” ou o “pacto da barganha”. Nada mais é que o apoio incondicional ao Poder Executivo em troca de cargos e vantagens para seus apadrinhados políticos. Nesse caso aplica-se a célebre máxima “é dando que se recebe”, e o povo que se dane! Um vereador decente já denunciou este procedimento numa sessão da Câmara Municipal, quando solicitaram que ele indicasse o secretário das Administrações Regionais. Felizmente existem vereadores que não comungam com essa prática e que foi muito utilizada pouco antes da cassação do ex-prefeito Izzo Filho.

Concluindo, não poderemos apagar de nossa memória que quatro pessoas humildes perderam a vida por omissão e negligência de uma administração que foi, indiscutivelmente, a pior que Bauru teve em todos os tempos.

Infelizmente, o que podemos fazer hoje por Bauru é sugerir ao prefeito que renuncie em benefício de 350.000 habitantes. (Everton Olivé - RG: 11.533.622)

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