Eu, infelizmente, não sei jogar buraco. Mas pelo andar da carruagem e devido a eles, que aqui neste torrão já são uma instituição, estou pela terceira vez tendo problemas em meu carro. Tudo normal. Como nunca joguei buraco na vida, escolhi outro esporte para praticar, o futebol, porém dois dos campos em que brinquei estão em petição de miséria. O que fica dentro do perímetro do IBC e o do bom e velho ARCA. Lembrei-me de outro, que já foi palco de importantes torneios regionais, onde o Parquinho mandava seus jogos, o distrital Edmundo Coube, que mais careca que minha precoce calvície, mostra a todos que passam pela rodovia, a quantas anda aquele pujante estádio. Mas como dar um basta nas coisas ruins, se elas insistem em continuar no meu roteiro diário. Passo pela Nuno e lá está o esqueleto do inacabado viaduto, viro o pescoço e aqueles prédios da ferrovia abandonados, calam lá no fundo. Sigo em frente e o Cadeião me faz lembrar do ex-prefeito, que por lá continua e do seu tempo de perseguição a jornalistas, que não mais acontecerão (sic). Sigo em frente, tento novamente esquecer, mas quando passo em frente à Câmara, recordo-me que os temporários hóspedes daquele prédio estão de computadores “zero bala†e só não contrataram o tal do 3.º assessor porque estão esperando a poeira baixar. Vou tomar meu chope e constato que ninguém está interessado e dando a menor importância, quando o assunto é lavagem de dinheiro público. Respiro fundo e a lembrança do chumbo é inevitável, agora com o questionamento de alguns de que isso tudo é normal, são detalhes insignificantes dentro de um contexto maior. Paro para um xixi na praça e o sanitário está fechado e o dono do bar da esquina me cobra R$ 1,00. Vou emprestar um livro na biblioteca pública e constato que por três meses estarei privado desse luxo. Tomo água e lembro-me do DAE, onde até os bons e velhos comunistas estão dando para trás. Isso me faz lembrar do Funprev, que não se pode nem comentar, pois, como tudo que vem de cima, trata-se de uma bênção “eles†ainda continuarem olhando por nós, aqui em baixo. Digamos amém, é melhor e não corremos riscos desnecessários. Como devo repetir amém, pelas águas de março não terem invadido minha ex-residência ribeirinha. Não posso nunca me esquecer que esta minha terra continua linda como nunca, mas não dá para ficar só falando de botecos bons, comidas boas, lugares inacessíveis para a grande maioria da população. Os olhos precisam, mais do que nunca, estarem bem abertos, ainda mais agora, que R$ 8 milhões de investimentos estão adentrando o gramado. Resistir é preciso. (Henrique Perazzi de Aquino - RG: 9.710.205-2)
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