Em cerca de dois meses, o aterro sanitário de Bauru terá poços de monitoramento para avaliar se existe contaminação da água dos lençóis freáticos por poluentes gerados pelo lixo. Ontem, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e da Universidade de São Paulo (USP) esteve no local para desenvolver mais uma etapa dos estudos que antecedem a implantação dos poços.
Serão implantados de cinco a sete poços. O aterro funciona há aproximadamente dez anos e seu desempenho ainda não foi avaliado tecnicamente. O monitoramento periódico é uma exigência da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb).
Os estudos preliminares à implantação dos poços têm como objetivo escolher os locais mais apropriados para a instalação dos poços, a partir da avaliação da geologia, topografia e hidrogeologia da área.
Apesar da responsabilidade pelo gerenciamento do aterro ser da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), estes estudos estão sendo desenvolvidos por um grupo do qual participam professores e alunos de pós-graduação da USP e da Unesp - entre eles o professor Vagner Roberto Elis, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP -, além da pesquisadora Anna Silvia Peixoto, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa está sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
“A Emdurb, que é a maior interessada nessa informação, não está dispondo maior recurso para isso. A gente já trabalhava com isso e tínhamos um interesse em expandir esses estudos. Nós precisávamos fazer o monitoramento e gostaríamos de fazer isso no aterro de Bauru. Então, houve um interesse mútuoâ€, explica o professor Heraldo Giacheti, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Industrial da Faculdade de Engenharia de Bauru da Unesp.
O grupo destaca a importância dos estudos preliminares já que se os poços fossem instalados em locais inadequados eles forneceriam informações que não correspondem à realidade.
A primeira etapa da coleta de dados para definição dos locais em que serão construídos os poços foi feita em novembro de 2001. A segunda etapa, concluída ontem, teve como objetivo comprovar e detalhar os dados coletados anteriormente.
“O local exato da colocação do poço nós já temos. A Emdurb está fazendo orçamento para implantá-los. Isso que estamos fazendo é para o rigor da pesquisa. Para a Emdurb, o primeiro resultado já bastavaâ€, observa o professor Jorge Hamada, do Programa de Pós-Graduação e, Engenharia Industrial da Faculdade de Engenharia de Bauru da Unesp.
Ele explica que parte do chorume infiltrado no solo é retida, mas não se conhece antes de estudos específicos de determinada área a capacidade de retenção nem o percurso dos poluentes no solo até chegar ao lençol freático.
“Estamos procurando avaliar o que acontece com essa água que passa pelo aterro - contrastes de valores que me mostrem a possibilidade de existência de algum contaminante que passou ou foi gerado pelo aterroâ€, acrescenta Giacheti.
Instalação
O geólogo Nariaqui Cavaguti, da Emdurb, acredita que em cerca de dois meses os poços estarão instalados no aterro de Bauru. Ele afirma que o principal entrave são as etapas das licitações para compra de materiais e execução da obra.
A Emdurb ainda não tem informações sobre o custo total da obra. A assessoria de imprensa da empresa informou que o monitoramento não foi iniciado antes porque os investimentos para essa área estão disponíveis neste momento.
“A importância é que não tinha monitoramento, tínhamos que fazer e agora estamos procurando fazer tecnicamente o melhor possível dentro da realidade orçamentáriaâ€, acrescenta Cavaguti. “Isso nos dará parâmetros para dizer se há contaminação ou nãoâ€, ressalta.
Apesar da Cetesb exigir monitoramento mínimo de seis meses, os pesquisadores da Unesp e da USP pretendem fazer análises periódicas mensais, além de implantar a técnica em outros aterros. “A preocupação não é só com esse aterro, é com o futuro aterro também, já que o atual tem vida útil de dois ou três anos. Vamos ver quais as deficiências que esse aterro está tendoâ€, diz Hamada.