A correção dos valores da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) em 17,5% - aprovada anteontem pela Câmara dos Deputados - não ficou no patamar ideal, mas significa colocar em dia uma situação de defasagem e o atendimento a uma reivindicação antiga da classe trabalhadora. Essa é a análise feita pelo presidente do Sindicato dos Contabilistas de Bauru e Região, Cris Moreno.
“O ideal seria um percentual maior, já que essa tabela estava congelada há cerca de cinco anos. Contudo, é necessário comemorar a correção porque a falta dela estava prejudicando todos os trabalhadores. Dessa forma ficamos, pelo menos, perto do que é justoâ€, diz.
Por outro lado, Moreno discorda da maneira como a Medida Provisória (MP) que autoriza a correção foi levada à votação.
“Sabemos que isso só ocorreu agora porque o governo está pressionando os deputados para votar todas as MPs que estão travando a votação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Mas a MP sobre o Imposto de Renda deveria ter sido votada há muito tempoâ€, aponta o presidente do sindicato.
Ao mesmo tempo em que aplaude a aprovação da correção da tabela do IR, Moreno diz que ainda há muita coisa em jogo que ainda aflige a categoria dos contabilistas.
A principal delas é a MP nº 22/02, que se não for revogada, fará com que a alíquota do imposto cobrado sobre o resultado desses profissionais seja elevada em 200%.
De acordo com Moreno, a medida faz com que o aumento de 1,8% da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) represente uma redução de 20% a 50% no resultado final das empresas de contabilidade.
“Esperamos que, independentemente de CPMF e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), essa MP seja revogada. Isso é uma agressão à categoriaâ€, observa.
Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, a correção não corresponde ao que os trabalhadores esperavam. De qualquer forma, teria sido importante.
De acordo com ele, para que a defasagem de cinco anos fosse corrigida de forma mais justa, o percentual deveria girar em torno de 35%.
“A aprovação no Congresso foi tardia. É lamentável que precise haver pressão do Executivo para que o Legislativo possa trabalhar. Questões pessoais e partidárias não podem ser colocadas acima do interesse coletivoâ€, observa.