Bairros

Cerca de 43% da rede de água de Bauru estão vencidos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A falta d’água sofrida pelos bauruenses nos últimos dias, devido a uma seqüência de defeitos em uma das duas adutoras e na rede de distribuição, trouxe à tona um sério problema: boa parte da tubulação responsável pela distribuição da água aos consumidores está vencida, o que prejudica o abastecimento. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) possui 1.400km de rede de distribuição em Bauru, dos quais 43% (cerca de 600km) são antigos e precisam ser substituídos.

O DAE vem trocando trechos das tubulações vencidas à medida que as ruas são abertas para obras de asfalto, conta o engenheiro Isaar de Almeida, diretor da Divisão de Produção e Reservação da autarquia. Ele ressalta que não há dados da porcentagem da rede antiga que já foi substituída. Porém, a estimativa é que grande parte dos 600km de rede antiga, de ferro fundido, esteja em uso.

Os bairros que mais sofrem as conseqüências de ter tubulações antigas são Vila Cardia, Vila Falcão e Bela Vista, de acordo com Wilson Dionísio, assessor da presidência do DAE. No entanto, os Altos da Cidade é a localidade que mais está demorando para ter o abastecimento normalizado depois da interrupção programada de produção da Estação de Tratamento de Água (ETA), feita sábado.

Ontem, cinco dias após a interrupção de sábado, vários consumidores dos Altos da Cidade, parte do Higienópolis e Vila Cardia ainda estavam sem água. “Temos duas caixas d’água e mesmo assim não tenho água para nada em casa, nem para a descarga do banheiro”, conta a artista plástica Matilde Franco, 67 anos, que mora e tem ateliê na quadra 19 da rua Gustavo Maciel.

Sua filha, a também artista plástica Fátima Franco, que está grávida, reclama da dificuldade para tomar banhos. “Tenho tomando banho na casa de parentes, em outros bairros. Como estou grávida, preciso ir ao banheiro várias vezes ao dia e nem isso posso. Também estou com dificuldade para dar aulas com tinta porque não tem água para as alunas lavarem as mãos”, diz.

Além do incômodo, empresários do bairro reclamam que já amargam prejuízo. “Por causa da falta d’água, estou perdendo de fazer, em média, dez banhos e tosas de animais por dia, isso desde segunda-feira”, frisa Cassiano Gigo Mateus, dono de uma loja de ração, localizada a uma quadra do DAE.

Sueli Aparecida Moraes Ezidério, funcionária de uma marmitaria nos Altos da Cidade, conta que a falta d’água prejudicou as vendas. “Não estamos fazendo sucos e cortamos parte das marmitas porque não tem água. E para não parar de servir as refeições, estamos comprando de oito a dez galões de água mineral por dia. Pedimos o caminhão-tanque várias vezes, mas não fomos atendidas”, diz

Outra comerciante da região, Regina Zanata, teve mais sorte. Ontem ela conseguiu, através de um caminhão-tanque do DAE, encher o reservatório de sua loja. “O mais difícil é quando um cliente pede para usar o banheiro. O jeito era explicar que estava sem água”, afirma.

DAE explica

O presidente do DAE, Luiz Augusto de Oliveira Castro, ao lado de diretores da autarquia, explicou a causa da falta d’água à Imprensa ontem. “A demora deve-se à série de problemas na rede de distribuição ocorridos desde sábado, aliado ao alto consumo de água dos últimos dias em toda a cidade, em função do calor, a problemas individuais, como a presença de ar na tubulação dos imóveis, e à redução da capacidade de vazão da rede de distribuição”, explica Wilson Dionísio, assessor de gabinete da autarquia.

Mostrando estatísticas, o assessor de gabinete do DAE afirma que a produção e distribuição de água foram normalizadas na quarta-feira à tarde. “A maioria dos reservatórios que recebem água da ETA amanheceu com a capacidade de reservação quase total, ontem. Ao meio-dia, porém, o nível dos reservatórios caiu para 25%. Isso mostra que o consumo está sendo muito grande, até porque os reservatórios domiciliares estavam vazios”, explica Dionísio.

O DAE produz, por dia, em média 108 milhões de litros de água - a ETA é responsável por 43 milhões e os 27 poços profundos por 65 milhões. Os diretores do DAE não souberam precisar quantos consumidores ainda estavam sem água ontem, quando a autarquia recebeu 120 reclamações. “Temos 110 mil pontos de entrada de água e recebemos 120 reclamações, o que dá uma pequena porcentagem”, diz Dionísio.

O presidente do DAE, porém, admite que 120 consumidores sem água é um problema sério. “Eles têm razão de reclamar porque não é possível ficar sem água. Para tentar amenizar o problema, estamos abastecendo com caminhão-tanque”, conta. Ontem, até as 16 horas, o DAE havia recebido 60 pedidos de abastecimento por caminhão-tanque e atendido 56 deles, segundo a assessoria de imprensa da autarquia.

Comentários

Comentários