Política

Mães cobram proteção à saúde dos filhos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Marilúcia Pinheiro da Silva e Luciane da Silva Moura estão preocupadas com o restabelecimento da saúde de duas crianças. A primeira é tia de um menino que apresenta sinais de contaminação por chumbo em estágio avançado. A segunda é mãe de uma menina que já enfrenta a doença. Elas reclamaram, ontem, na Câmara Municipal, que a Ajax, ao contrário do que está prometendo, ainda não forneceu assistência aos doentes.

Marilúcia é tia de um menino que foi apresentado em um vídeo com os problemas durante a audiência. Ela reagiu às citações da empresa de que o sobrinho nasceu com problemas de saúde. “O Daivid nasceu normal eu tenho laudo apontando isso. As mães que fiquem alertas, cobrem o SUS e a empresa porque é assim que ela reagiu até agora. Que seja feita justiça porque estamos brigando para que o menino receba atendimento”, mencionou.

Luciane da Silva reclamou que vem procurando a indústria por várias semanas, mas ainda não foi atendida. “No primeiro contato eles disseram que iam me ajudar, da mesma forma que disseram isso aqui. Mas minha filha está contaminada e eles não deram tratamento a elas. Não sou contra a Ajax, mas exijo atendimento. Vocês não podem ser omissos. Outras crianças estão contaminadas e precisam de ajuda”, disse.

A mãe de uma menina atingida pelo chumbo apelou para que a empresa cumpra o que está prometendo. “Não queremos tirar o emprego de ninguém, mas quero a saúde das crianças que estão sofrendo com esse problema. Queremos o solo sem contaminação. São crianças de famílias pobres. Façam, não fiquem só prometendo”, advertiu.

O advogado Sérgio Rosseto, que representa parte em ação onde solicita indenização de R$ 1 milhão para seu cliente, fez em sua fala na audiência pública de ontem críticas à imprensa, citando nominalmente o Jornal da Cidade e a TV Modelo, que, segundo ele, não deram ao caso Ajax a divulgação por ele desejada. “Prestando serviços à comunidade, o JC mostra fatos, com independência, de forma corajosa e responsável, e não teme poderosos, como insinuou o advogado e nem tampouco especulações como as de Rosseto”, disse a direção editorial do jornal. O vice-prefeito de Adrianópolis (PR), Cláudio Lima, destacou os prejuízos que a contaminação por chumbo trouxe à sua cidade. “Tem criança que não fala, não anda, tem oito anos de idade e tamanho de três anos. O problema merece seriedade. Não sofram as consequências que sofremos”, advertiu. O diretor da Divisão Regional de Saúde (DIR-X), Afonso Viviani, contou que o Centrinho disponibilizou sua estrutura para participar do atendimentos aos casos levantados. A Faculdade de Medicina da Unesp-Botucatu também está trabalhando no episódio. “A Secretaria de Saúde e a DIR-X estão juntos desenvolvendo a pesquisa de campo para detectar a extensão das contaminações”, citou.

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