A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) foi fundada em Bauru em 25 de janeiro de 1965. Pioneira no trabalho proposto pelas associações na área da saúde, a Apae até hoje é exemplo e referência para as outras instituições.
A atual presidente da Apae de Bauru, Olga Bicudo, conta que quando a entidade foi inaugurada tinha apenas nove alunos e, por não ter sede, utilizava uma sala da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafil) do Sagrado Coração de Jesus. “Esse local foi utilizado até 1968. Depois foi uma vida de nômade até chegarmos a essa sede atualâ€, conta.
Ela lembra de um episódio quando a Apae estava instalada numa casa na rua Célio Daibem e foi preciso chamar o Corpo de Bombeiros porque o imóvel estava todo trincado e corria o risco de cair. “Daí, mudamos para a quadra 5 da Cussy Júnior, também numa casa em condições precárias. Em seguida fomos para a rua Virgílio Malta e depois para o Antônio Gasparini. Depois, em 1976 ocupamos um grupo escolar municipal desativado. Foi daí que já viemos para a sede atual. Nós ganhamos esse terreno no mandato do Edmundo Coube. O local tinha 6.223 metros quadradosâ€, recorda.
Olga diz que, com o terreno ganho, começaram a ser realizadas promoções para conseguir construir a sede que foi inaugurada em agosto de 1983, com quatro pavilhões. “Depois conseguimos aumentar os pavilhões e construir secretaria, laboratório de informática, piscina terapêutica, enfim, tudo o que a sede tem hojeâ€, afirma.
Mini-cidade para especiais
Com o tempo, segundo Olga, a Apae fez muitos projetos, mas para realizar todos esses objetivos, faltava espaço físico. Ao lado da sede, funcionava um cartódromo numa área de aproximadamente 24 mil metros. “Começamos a fazer um trabalho na época do prefeito Tuga Angerami e solicitamos a doação desse cartódromo, então agora temos mais esse espaçoâ€, diz.
Nesse local deverá ser construído aquilo que a presidente chama de lar substituto.
Olga ressalta que, com os passar dos anos, os alunos da Apae foram ficando velhos e, atualmente, o que preocupa a família deles é o que acontecerá quando os pais morrerem. A idéia do lar substituto é que os excepcionais possam ter suas casas, dentro de uma mini-cidade quando já forem adultos e não puderem ficar com parentes.
Em cada casa, ficariam quatro ou cinco alunos do mesmo sexo com a orientação 24 horas de uma pessoa que a entidade chama de “mãe social†treinada pela Apae. O excepcional teria uma vida normal, inclusive realizando as atividades da escola especial. Também deverão ser construídos uma quadra de esportes coberta e um ambulatório, entre outras coisas.
Atualmente, a Apae atende 387 alunos. Ela é considerada como centro de referência regional, pois oferece atendimento especializado de excelência, assessorando técnica e pedagogicamente instituições co-irmãs, objetivando assim contribuir para efetivação de um mundo que assegure qualidade de vida para todos.
Ajuda insignificante
Olga informa que a entidade se mantém com verbas federal, estadual e municipal que não chegam a R$ 20 mil mensais. “São verbas insignificantes, porém necessárias. Essa ajuda não nos dá o suporte para mantermos a entidade, por isso, buscamos outras maneiras de angariar fundosâ€, explica.
Além do valor pequeno, de acordo com ela, os pagamentos atrasam, ou seja, essa ajuda não é uma garantia porque não se sabe em que mês ela será paga.
É por isso, segundo Olga, que a comunidade é sempre acionada. “Nós sabemos que desgastamos a comunidade e nós também ficamos desgastados, mas existe uma conscientização por parte de cada contribuinte que só sobrevivemos com ajuda da população e nós somos gratos por essa parceria e pelo reconhecimento dos trabalhos que realizamosâ€, explica.
Ela conta que além de contribuições mensais através do Apae-Card há também os bingos, o almoço italiano, a Feira da Bondade e o sorteio de prêmios. “Nós entendemos que a situação econômica do País não é boa e, por isso, a contribuição é menor atualmente. Nosso contribuinte não deixa de colaborar, mas pelas condições, aquele que nos doava R$ 50,00 doa agora R$ 25,00; aquele que doava R$ 25,00 doa R$ 10,00. Hoje a sobrevivência de todo o mundo está difícilâ€, diz.
Olga afirma que desde o ano passado está difícil assumir os compromissos salariais. Ela conta que luta muito para que não caia o nível do atendimento. Outra prioridade é a pontualidade dos salários dos funcionários. “Não está fácil. É muito difícil, mas nós não desistimos de nossos objetivosâ€, afirma.
Para Olga, a luta para manter a entidade sempre existiu, mas a Apae cresceu e as dificuldades agora são maiores.
Voluntários
A presidente ressalta que a entidade está necessitando de voluntários. “Quem quiser colaborar conosco, como trabalho voluntário, deve entrar em contato com a Apae. Nossas voluntárias, que trabalharam muito duro, estão ficando cansadas com o avanço da idade e, portanto, vamos precisar de novas candidatasâ€, afirma.
A presidente da Apae deu uma dica para as associações que estão iniciando a luta para conquistar seu espaço e alcançar o objetivo de ajudar as pessoas portadoras de algum tipo de doença: “Nosso trabalho é muito lindo e muito parceiro. Nós estamos à disposição da população que queira vir nos conhecer e conversar e podemos orientar as pessoas que estejam interessadas. O que quero deixar como mensagem é que, diante das dificuldades, nunca podemos perder o nosso idealâ€, finaliza.
Atendimento especializado
A Apae mantém um corpo de profissionais especializados na área da saúde que prestam serviços aos alunos. Entre auxiliar de enfermagem, psicóloga, fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, pediatra, neurologista, psiquiatra, nutricionista e dentista são mais de 20 funcionários especializados que compõem uma clínica em funcionamento na Apae.
Esse serviço é conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), onde, através de faturamento, a Apae tem uma participação financeira.
Para buscar a independência econômica foi construído na entidade um laboratório de patologia clínica. O imóvel onde funciona o laboratório foi doado para a Apae. No local, são feitas as coletas de sangue do calcanhar do recém-nascido, o chamado exame do pézinho, permitindo o diagnóstico e a prevenção de doenças que podem causar deficiência mental. Através desse exame é possível detectar doenças metabólicas, cujo tratamento precoce previne a tempo seqüelas posteriores. Esse serviço teve início em outubro de 1998 e o laboratório tem capacidade para realizar 20 mil testes por mês.
Serviço
A Apae de Bauru fica na avenida José Henrique Ferraz, 20-20, Jardim Ouro Verde. Telefones: 236-1100/236-2130/223-3515.
História teve início no RJ
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) é resultante de um movimento que destaca-se no País pelo seu pioneirismo.
De acordo com o site oficial da entidade, a primeira iniciativa, no Brasil, de congregar pais de “excepcionais†e outras pessoas interessadas em apoiá-los ocorreu no Rio de Janeiro, empreendida por Beatrice Bemis - membro do corpo diplomático norte-americano e mãe de uma pessoa portadora da Síndrome de Down.
O site informa que, motivados por Beatrice, um grupo de pais, amigos, professores e médicos de pessoas portadoras de deficiências, fundou a primeira Apae do Brasil, cuja reunião inaugural do conselho deliberativo foi realizada em março de 1955, no Rio de Janeiro.
A Sociedade Pestalozzi do Brasil colocou um prédio à disposição do grupo, possibilitando que fosse instalada uma escola para crianças excepcionais, com apoio do professor La Fayette Cortes.
A entidade então, de acordo com as informações divulgadas no seu site, passou a contar com essa sede provisória, onde foram criadas duas classes especiais, com cerca de 20 crianças. A escola desenvolveu-se, seus alunos tornaram-se adolescentes e necessitaram de atividades criativas e profissionalizantes. Foi organizada, então, uma oficina pedagógica, de atividades ligadas à carpintaria.
De 1955 a 1962 surgiram outras Apaes. No final de 1962, houve a primeira reunião nacional de dirigentes da entidade, em São Paulo. Ali, reuniram-se representantes de 12 das 16 unidades já existentes no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Paraíba.
Em 10 de novembro de 1962, foi criada a Federação Nacional das Apaes. O primeiro presidente eleito foi Antônio Clemente Filho. Adotou-se como símbolo a figura de uma flor ladeada por duas mãos em perfil, desniveladas, um em posição de amparo e a outra de orientação.
O movimento logo se expandiu para outras capitais e depois para o Interior dos Estados. Atualmente, decorrridos 44 anos, soma mais de 1.600 unidades, espalhadas pelo Brasil. É o maior movimento social de caráter filantrópico do País, na sua área de atuação.