A primeira vez que ouvi a expressão Projeto SAE Mini Baja, a idéia que me veio à mente foi de alguma coisa como um grupo de alunos numa oficina ou garagem, juntando peças sucateadas de motos ou autos, onde pretendiam instalar um motor qualquer que foi localizado e adquirido, sendo o objetivo final o funcionamento do engenho, podendo a partir daí até servir como um brinquedo para se dar umas voltinhas e até exibir como um produto da inventiva e habilidade construtiva do grupo. Quanta desinformação da minha parte!
No início do ano 2000, assumi a coordenação do Projeto SAE Mini Baja dos alunos do Curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal da Bahia. Comecei a minha nova atividade lendo o consistente Manual do Participante e Especificações Técnicas da SAE BRASIL - Society of Automotive Engineers, entidade promotora do evento. Não consegui parar de ler o volumoso documento, enquanto não cheguei ao seu final, tamanha a riqueza de detalhes e seriedade de propósito. Somente aí entendi porque tantos estudantes participam da Competição SAE BRASIL-PETROBRAS de Mini Baja, que neste ano está na 8.º edição e reúne nada menos que 76 equipes de 48 universidades.
O Projeto SAE Mini Baja é, verdadeiramente, uma fábrica de líderes. Movido a entusiasmo, nele o aluno entra sabendo que não existe bolsa ou qualquer outro tipo de remuneração, assim como também não é ainda uma atividade curricular e, por isso, não conta pontos ou notas no histórico de graduação. O que se verifica, no entanto, é que ali se concentra a nata, o que há de melhor, os que produzem resultados e ganham prêmios em outros projetos acadêmicos. No SAE Mini Baja, o aluno aprende tudo! Até a projetar e construir um veículo dentro de rígidos padrões de segurança, que seja leve mas suficientemente resistente a ponto de suportar uma competição de enduro vencendo pedregulhos e atoleiros durante nada menos que quatro horas, subir rampas de até 45º, vencer testes de aceleração e frenagem, ser mais rápido que os demais, ter estabilidade e facilidade de manutenção etc.
Para completar, os alunos têm de fazer relatórios detalhados do projeto e testes dos materiais aplicados. Finalmente, há que ser feito um projeto de uma indústria capaz de produzir 4 mil unidades/ano em todas as suas etapas, como estudo de viabilidade econômica, planejamento industrial, investimento necessário, taxa interna de retorno, valor presente líquido, pay-back etc. Não bastassem os desafios acima relatados, os participantes do projeto enfrentam, diariamente, o desafio da sobrevivência, já que faz parte do programa, o levantamento dos recursos necessários para a sua existência.
Assim, home page, estatuto, folders e todo o material promocional necessário à aquisição de patrocinadores têm de ser feitos por eles mesmos, aprendendo aí a primeira grande lição: como é, ser empresário. E, nesse processo, aprendem a vencer os desafios reservados aos grandes líderes. (O autor, Pedro de A. Ornelas, é engenheiro mecânico, com especializações em Gestão de Qualidade e Tecnologias Limpas)