Bairros

Seplan quer adotar retenção doméstica

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

O conceito de se projetar obras de drenagem a partir do volume total das bacias de contribuição vem ganhando variações. A mais interessante em termos de eficiência, bem como a mais discutida entre as prefeituras paulistas e paranaenses, consiste na retenção das águas pluviais em sua bacia de origem. Ao invés de deixar todo o fluxo escorrer para um único ponto de captação, a nova idéia é contê-lo antecipadamente, seja dentro dos lotes domésticos individuais ou nos condomínios residenciais.

Essa tendência de infra-estrutura vem ganhando forças dentro da Secretaria Municipal de Planejamento de Bauru (Seplan), que há quatro anos estuda o modelo já adotado em Curitiba e São Paulo. Nessas cidades, lotes residenciais estão sendo entregues com caixas de retenção que captam a água da chuva, também chamadas de “piscininhas”, e retardam seu despejo na rua.

Em tese, a vazão restringida faz com que as canalizações subterrâneas e os próprios rios recebam apenas o volume que suportam. A providência, vale esclarecer, não será a solução milagrosa para os problemas de Curitiba, São Paulo ou Bauru, até porque outras obras grandiosas são necessárias. “Temos que considerar essa solução dentro de um conjunto de medidas que trará resultados positivos no futuro”, sublinhou Maria Helena Rigitano, titular da Seplan.

A caixa de retenção doméstica pode ser concebida de duas formas: total ou parcialmente impermeável. O primeiro modelo é inteiro de concreto, enquanto o segundo tem o fundo aberto, em contato direto com a terra. A segunda opção, explicou a secretária, é mais interessante em termos ambientais, pois contribui com a recomposição do lençol freático. Ao mesmo tempo, traz uma inconveniente ameaça às estruturas de fundação dos imóveis, uma vez que o solo arenoso de Bauru é bastante suscetível a erosões.

Enquanto amadurece a idéia, a Seplan corre acelerado com as propostas das grandes barreiras de contenção, as quais todos esperam marcar o fim das enchentes na cidade. No momento, a secretaria finaliza o edital de licitação para contratar serviços de projetos de drenagem para a bacia da avenida Nações Unidas. Na seqüência, outra licitação com o mesmo fim será aberta vislumbrando soluções para a região do pátio ferroviário.

Vale salientar que os empreendedores imobiliários interessados em diretrizes para construção estão sendo convidados a elaborar projetos de obras de retenção pluvial. Um solicitante de diretrizes para abertura de 160 novos lotes, por exemplo, já indicou pretensão de usar uma quadra poliesportiva como contentora de água. “Em dias de chuvas fortes, a área de lazer funcionaria como uma piscina, o que é uma alternativa bem criativa e econômica. Agindo assim, a prefeitura adota uma postura prudente e os empreendedores, de bom senso”, avaliou Rigitano.

‘Piscininhas’ já são exigidas em SP e Curitiba

Desde janeiro último, a Prefeitura de São Paulo vem exigindo dos proprietários interessados em reformar ou construir imóveis a instalação de reservatórios domésticos, conhecidos como “piscininhas”. A ordem é para os terrenos e construções com área impermeabilizada superior a 500 metros quadrados.

Da mesma forma que os piscinões, as versões diminutas do sistema têm o objetivo de contribuir com as frentes de combate às enchentes. A mesma lei também obriga os estacionamentos existentes e futuros a ter 30% de sua área de piso permeável ou mecanismo que permita a drenagem das águas pluviais. Quem não cumprir a determinação corre o risco de perder ou não ter renovados o alvará e licença de funcionamento.

Em Curitiba, empreendimentos de grande e médio portes também estão sendo obrigados a instalar reservatórios próprios. A prefeitura da capital paranaense também estuda uma lei para tornar obrigatória a construção das caixas nas residências.

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